terça-feira, julho 29


De férias, com o espírito e o corpo a precisar de descanso, vejo numa tabacaria uma nova revista... Levo-a, à espera de ver a coragem estampada numa publicação nacional que já fazia falta: uma revista Gay!

Chego à praia, espalho as tralhas e dedico-me a desvendar sofregamente todos os recantos da dita, sempre à espera de uma surpresa, sempre à espera de algo novo. Ouvi reclamações jocosas de falta de atenção, mas eu estava determinada. Depois de umas horas a fritar para a análise não ser injusta, desisti. Sempre as mesmas caras, sempre as mesmas histórias, sempre o mesmo recanto lisboeta que se corre numa horita..

Bem sei que é o primeiro número e que a minha opinião corre o risco de ser bombardeada de críticas, porque à falta de tudo não se pode reclamar. Esta minha opinião vai no sentido de dizer que quem tem a coragem, o investimento até monetário de se meter numa destas, que vá em frente a fim de desvendar o que o mundo gay/lésbico português (e não só) tem de novo para mostrar e para dar.

Têm agora a faca e o queijo na mão. Descubram e dêem a conhecer aquilo que não sabemos. Explorem! Estamos tod@s à vossa espera!!!

Antes perneta que maneta!



Esta noite tive um daqueles sonhos bizarros em que passado e futuro se misturam sem nenhuma coerência nem consistência mas que me deixou a cismar com uma história que se passou aqui há uns anos quando eu por incúria ou idiotice me deixei envolver com uma mulher “casada”. Eu sempre disse e continuo a dizer que não é correcto investir nesse tipo de relacionamentos até porque há vários cenários possíveis e nenhum deles interessa a todas as partes envolvidas, pelo menos não na actualidade social deste cantinho soalheiro onde vivemos. Isto trocado por miúdos significa que olhar é normal porque ninguém é cego e o que é belo é para ser apreciado, pois claro! Mas daí a dar o passo e entrar numa intimidade que não é nossa em exclusivo, isso já requer uma mestria emocional que a mim me ultrapassa. Sou da velha escola e acredito na exclusividade das relações até porque não acredito na capacidade dos seres humanos em gerirem uma proliferação de afectos para além desse único e especial que nos liga à pessoa da nossa vida, pelo menos no momento presente.

Bom mas da única vez em que cometi o erro de meter a colher entre mulher e mulher apanhei um susto tão grande que jurei para nunca mais! É certo que a mulher da mulher não era uma mulher qualquer. E é certo que eu trazia uma paixão assolapada por ela já desde os tempos de liceu. E é certo também que eu por vezes achava que a Lucinda me dava troco, fosse por certos olhares mais intensos, fosse por uma mão propositadamente deixada sobre o meu braço queimando-me a pele e deixando-me à beira do desespero. E ela era uma mulher muito bonita, de pele espontânea e clara e de olhos translúcidos e directos, e eu já aqui confessei que não sou insensível à beleza magnética de certas mulheres.

Mas a Lucinda tinha uma prometida, sempre teve desde que nos tornámos gente. A Ana Isabel era uma espécie de sombra, onde estava a Lucinda ela aparecia atrás, sempre vigilante, sempre protegendo a eleita do seu coração. Não era possível dissociar uma da outra, de tal forma se moviam juntas para todo o lado. Já na altura era uma escandaleira lá na terra porque elas sempre se declararam namoradas e não queriam saber das conversas de pais, padres e psicólogos que lhes diziam que não era possível terem tanta certeza da sua sexualidade sendo tão novas. Chegavam a pedir-lhes que experimentassem com fulano e sicrano, garanhões de serviço, antes de se comprometerem dessa forma tão explícita! Como se a experimentação de um prazer não desejado pudesse de alguma forma mudar o que não pode nunca ser mudado! Quanto mais insistiam para que se separassem mais elas insistiam que nunca jamais em tempo algum nenhum ser vivo se intrometeria na sua irmandade de sexo e de sangue.

Então porque foi que um dia a Lucinda apareceu sozinha na oficina da Ana Maria pedindo para falar comigo como se a sua vida dependesse disso? Então porque foi que a Ana Maria achou por bem encontrar um ponto de encontro secreto onde Lucinda e eu pudéssemos aprofundar laços que eu unilateralmente já lhe lançara? Então porque foi que eu sabendo que a Lucinda não me pertencia fui ao seu encontro de braços e coração abertos, querendo saber porque era que ela me queria, como era que ela me queria e porque não antes, antes do “casamento”, antes desse tempo todo em que eu tinha tentado enterrá-la nos baús das memórias do meu passado? Não sei. Apenas sei que fui querendo apertá-la nos meus braços e dizer-lhe que eu sempre a tinha amado e desejado muito, apesar da outra.

Lucinda estava triste, um pouco cabisbaixa e apática, como se tivesse chegado a um beco sem saída. A sua vida não era aquilo que ela queria, disse-me. Algures no tempo tinha deixado de governar as rédeas da sua vontade e tinha cedido o seu lugar a uma outra cavaleira, mais destemida e assertiva do que ela. Durante anos cedeu a tudo, deixou-se levar por uma existência confortável e desafogada. Até ao dia em que se olhou ao espelho e não se reconheceu naquele ser de aparência indiferente e desleixada. A vida deixou de ser vida, passou a ser uma sucessão de dias, minutos, todos iguais uns aos outros, todos cinzentos, indistinguíveis, frustrantes, sufocantes minutos em que nem força sentia para se debater contra algo que se tinha apoderado daquilo que ela era deixando-a feito esqueleto de si própria.

A minha Lucinda que não era minha excepto nesse brevíssimo momento em que se agarrou a mim e me pediu que a salvasse duma vida que não era vida. Vamos, pedia-me, fugimos as duas, passamos a fronteira, vamos viver bem longe desta terra e desta gente, e dela... da outra que a queria sem a querer deixar ser aquilo que ela era. E eu por um momento sensível ao seu desespero dizia-lhe que por mim sim, fugíamos pois, nós sem dinheiro mas qualquer coisa se arranjaria nem que eu tivesse que me ir oferecer à beira da estrada aos indigentes que por ali passavam desejosos duma foda apressada. Ela chorava agarrada a mim e nesse momento os nossos lábios tocaram-se e sofregamente nos beijámos. E eu senti que a amava, intensamente, terrivelmente, desesperadamente iria tentar fazer o impossível para me juntar aquela Lucinda que não era minha.

Combinámos encontrarmo-nos todos os dias dessa semana, e todos os dias fazíamos planos, traçávamos caminhos de fuga para amanhã, ou depois, ou seguramente um dia muito próximo do seguinte. E amávamo-nos loucamente, com uma intensidade que nunca tinha sentido até então no meio de juras desse amor eterno que esperava por nós um dia, bem longe de tudo e de todos. Os dias passaram, a loucura manteve-se durante todo o verão até que um dia... ninguém sabe como, ninguém sabia, ninguém vira, ninguém comentara, mas um dia a Ana Isabel apanhou-nos juntas. Ainda me lembro da sua cara transtornada, das veias do pescoço a pulsarem furiosamente à medida que ela arrancava Lucinda dos meus braços e depois me empurrou num vértice de violência desmesurada, pontapeando-me e esmurrando-me, querendo apagar de mim memórias que eram só suas, da sua intimidade de casal onde eu nunca pertencera e de onde era agora selvaticamente expulsa.

Senti o sangue a jorrar-me nariz e boca adentro, o seu gosto acre a contrastar com o sabor doce dos beijos da Lucinda que nesse dia morreu para o mundo e para mim. Apanhei uma carga de pancada tão grande que julguei que nunca mais me levantava. E nesses momentos em que estive entre a vida e a morte sufocando no meu próprio sangue que me inundava as entranhas, jurei que tinha sido a primeira e última vez. Foi a Ana Maria que me salvou, me encontrou naquele estado e me levou para as urgências para que me cozessem rasgões e concertassem fracturas. A ela devo-lhe a vida e à minha avó a clarividência de espírito com que tentou confortar-me na primeira visita que recebi no hospital. Depois de avaliar os estragos nos meus membros inferiores a minha querida avó virou-se para mim a sorrir e disse-me "na difícil arte de amar mais vale perneta que maneta minha filha, nunca te esqueças disso, mais vale perneta que maneta!"

Arriba el rollo bollo!

terça-feira, julho 8




"Gran participación en los actos del Orgullo LGTB 2008

Cogam, Colectivo de lesbianas, gays, transexuales y bisexuales de Madrid, agradece a los más de dos millones de personas que han participado en los diferentes actos del Orgullo LGTB 2008 en Madrid.

COGAM, considera un éxito la participación ciudadana (estimada en un millón cien mil personas a las 20:00) en la convocatoria estatal de la Manifestación del Orgullo LGTB 2008 con lema "por la visibilidad lésbica". A lo largo de la manifestación se han gritado consignas como "arriba el rollo bollo", "bollo a la vista", "lesbiana se escribe con v de visible", "en las aceras también hay bolleras", …

La manifestación del Orgullo LGTB se ha convertido de facto en el evento más multitudinario que se da cita anualmente en la ciudad de Madrid, siendo la mayor exhibición de diversidad, solidaridad, tolerancia y multiculturalidad.

Como novedad este año se realizó una Caravana del Orgullo, que recorrió los municipios de Getafe, Fuenlabrada y Alcorcón y fue recibida por los diferentes alcaldes de estos municipios. Dado el éxito de esta iniciativa, se repetirá anualmente."


E foi assim que num escaldante final de tarde a multidão se levantou feita touro enraivecido e pateando o solo fez a terra estremecer. E levantando os cornos plenos de orgulho traçou no ar rotas de liberdade que conduzirão os povos à nova democracia!

Pelo menos uma vez na vida toda a gente devia marcar presença no meio desta multidão em festa. Em Espanha já muito se fez mas ainda há muito por fazer. E se os espanhóis lideram esta luta em prol da igualdade de direitos nós por cá esperamos que talvez os ventos desta vez nos tragam bons casamentos.

Foi comovente ver parelhas de novios com os dizeres ‘Recien Casados’, não vi nenhuma parelha de novias mas vi montones de parelhas femininas, parece que elas corresponderam ao apelo uma vez que este ano a marcha era delas e para elas. Foi imperdível! Fiquei fã e seguramente voltarei muitas mais vezes!

Viva la España! Olé!

Memórias coloridas

quinta-feira, julho 3



O Verão tem destas coisas que nos faz soltar o pensamento tanto como a língua que por vezes percorre desenfreada e gulosa por memórias que nos torram e queimam os centros nevrálgicos que sabíamos que tínhamos e mais uns quantos que nunca imaginámos possuir. É verdade que tive uma juventude bem recheada de sensações e emoções, não me queixo de todas as seivas que por mim passaram e em mim escorreram, aliás hoje canto-as para que saibam da importância que tiveram em mim. A minha pueril sede de prazer transformou-se em fonte de letras e palavras que recriam outras vidas e outros tempos, alegres, despreocupados e despudorados também. Precisei de tudo isso para chegar onde estou hoje, à tranquilidade dos “entas” e da vida de casada com a mulher que amo.

Hoje acordei com os acordes daquela velhinha música do Juan Luis Guerra na cabeça, essa mesma de que todas se recordarão tão bem, do peixe que se deixa enfeitiçar pela sereia e se enfia na sua gruta feita aquário de cristal onde por momentos se deixa aprisionar para que ela possa tão somente desfrutar da alegria contagiante das borbulhas de amor que o peixinho tão delicadamente vai soprando na direcção do seu... talvez isso, não sei, mas esta música sempre me evocou imagens poderosas de estrondosos prazeres subaquáticos e para isso muito contribuiu o encontro que me sucedeu faz por esta altura uns dez anos... ou talvez mais que a memória tem destas particularidades ao manter a vivacidade das cores e a intensidade dos momentos independentemente da distância temporal que deles nos separa.

Foi com uma espanhola pois... já aqui confessei que fraquejo perante certas beldades latinas e esta tinha um fogo interior que não passava despercebido a ninguém, homem, mulher, ou até animal! Qué de pasión... ui! Essa noite não foi a primeira que nos vimos, ou por outra, talvez fosse a primeira vez que ela olhava para mim embora eu já seguisse o seu rastro há vários verões. Sabem aquelas mulheres que arrastam toda uma história atrás de si e que nos estonteiam pela intensidade com que num só olhar nos permitem vislumbrar a paixão que trazem dentro delas? Sabem aquelas mulheres que levam muitos à loucura e que conscientemente ainda nos fazem arrependermo-nos de todos os nossos amantes passados e futuros? É dessas que reza a história, dessas helenas de Tróia, que tão subtilmente nos subjugam e arrebatam e nos elevam aos píncaros ainda que apenas por brevíssimos momentos.

Nessa noite estava um calor daqueles espessos e pesados mas mesmo assim isso não me impediu de ir comemorar para o local do costume. Não me lembro ao certo ao que a comemoração se referia, mero pormenor que deixou de ter relevância após tudo o que me aconteceu. Fui com o grupo do costume e ela estava lá, nesse bar sito em terra indefinida onde como sempre deixámos sotaques e costumes amontoados à porta da saída. Assim despojada entrei e senti logo o olhar dela sobre mim, intenso e poderoso como uma mão firme pousada sobre o meu peito marcando um território prestes a ser ocupado. Há dias assim, em que uma invasão unilateral nos cega e nos tolhe a vontade de reacção, deixando-nos à beira do altar prestes a sacrificarmo-nos às deusas do amor e do prazer.

Durante horas bebi e dancei e em todos os momentos nunca deixei de a sentir ali, obsessiva e predadora, observando-me de todos os ângulos, empurrando-me para um canto de onde eu sabia que não iria nem quereria conseguir escapulir-me. Falou-me ao ouvido, segredou-me palavras que me transportaram para outros tempos e eu ali fiquei enfeitiçada pelo fogo latino que cirandava à minha volta.

“Mi casa” fui, foi, algo que nunca tinha feito antes e nunca voltei a fazer depois mas como resistir-lhe se a minha vontade já se tinha colado à dela tanto como a pele dos nossos corpos suados? Foi então que ouvi e senti essa música de Juan Luis Guerra numa coreografia que imaginei ter sido criada só para mim... “mojjjjaaadaaaa em ti” rosnava a leoa enquanto se despia e me despia até ficarmos só as duas nuas “bajo la luna”.

Normalmente não gosto e não me deixo levar no que toca ao sexo, prefiro ser eu a marcar o ritmo e a definir até onde esticam os meus limites. Mas nessa noite de loucura a minha voz calou-se perante a potência da sua e foi tudo como ela quis que fosse. Assumi-me passiva sem nunca o ter sido e deixei as suas mãos experientes brincarem com o meu corpo e o meu sexo. Movimentando-se duma forma fascinantemente perversa encostou-me a uma parede e atou-me as mãos a uma espécie de tela preparada para o efeito. Semi-reclinada, de mãos atadas como se fora algum Cristo abandonado a uma sorte desconhecida fechei os olhos e entrei numa outra dimensão, puramente sensual e sensorial.

Ela continuava a invocar algum demónio em forma de peixe à medida que lenta mas firmemente me abria as pernas para que pudesse explorar a gruta aquário que tinha elegido como seu abrigo nesta noite de lua cheia. Em pequenos toques suaves me penetrou de tal forma que senti toda a sua forma dentro de mim, boca, olhos, nariz, cauda, barbatanas, escamas que levemente se roçavam agigantando a gruta viva de onde brotavam mil pequenas fontes de água límpida e salgada que ela impacientemente sorvia. Espantoso era a forma como o meu corpo se lhe rendia aumentando a intensidade com que as águas cediam à medida que a cadência das suas borbulhas turbilhões aumentavam dentro de mim. Já não eram as suas mãos, nem a sua boca, nem a sua língua mas sim verdadeiras e majestosas ondas que se formavam à medida que a gruta atingia o seu auge e eu me sentia prestes a explodir sem me puder conter. E não me contive e foi como se uma enorme barragem se quebrasse pela força dos espasmos primordiais que me percorreram lançando jactos orquestrados com mestria por essa mulher libertadora que me quis mergulhar num mar imenso de infindáveis prazeres.

Talvez eu seja uma sortuda, bafejada pela sorte e pelo amor, mas neste início de verão escaldante é com imenso agrado que recordo todos estes pequenos detalhes que dão vida e cor à minha extensa manta de memórias coloridas.

Há sempre tantos caminhos

segunda-feira, junho 30

nota: o título e a fotografia podem não ter nada a ver com o texto. Ou então até têm.

Com isto dos caminhos para escolher não quero dizer que gosto de mulheres por escolha. O que escolhi foi viver os meus amores e paixões plenamente, quer fossem eles homens ou mulheres.

Agora, não me ponham um homem que dança bem e mexe bem as ancas a dançar comigo. Há umas semanas atrás fui ao jantar da Pós-Graduação (o 1º que fui durante todo o ano). A sangria desceu bem e eu já estava bem acelerada. Acabamos todos num bar dançante ao lado do restaurante.

Ah pois é, salsa foi a dança da noite e não é que descobri que um colega meu dança mesmo muito bem. O que posso dizer é *ai* *ai*. Se dissesse que aquelas ancas mexeram comigo estaria a exagerar mas se dissesse "no passa nada" estaria a mentir com quantos dentes tenho na boca.

Em chegando a casa, o álcool ainda a circular no sangue, agarrei no portátil e resolvi enviar um e-mail ao rapaz. *ai**ai*. Havia 4 R's na lista de e-mails da turma. Resultado, enviei o e-mail ao R errado. Quando descobri a falta de pontaria não voltei a tentar... já não havia álcool no meu sangue.

Agora o caminho a percorrer seria o contar ou não à M o que se tinha passado na noite anterior (até porque a meio do jantar e depois de uma qualquer frase minha um colega perguntou "Quem é a M?" e eu respondi muito calmamente e prontamente "É a minha namorada"... claro que dias depois toda a turma já sabia... é o que dá não pensar). Decidi contar e quando ela chegou à praia fiz-lhe o prólogo e o epílogo sem esquecer a entremeada entre os dois. Ela não ficou nem contente, nem triste, nem irritada. Acho que ficou apreensiva.

Poderia não ter contado nada mas achei que devia contar. Qualquer uma de nós sabe que mesmo estando apaixonadas e a amar o mundo exterior existe e as tentações também. O que importa é o que fazemos com essas tentações.

Nota: numa das aulas posterior ao jantar contei ao R o e-mail que enviei por engano ao outro R. Deu para rir e ficou mesmo por aí.

Ai e o sexo no campo... pois!

sexta-feira, junho 20



Agora voltando atrás e abaixo verifiquei que poderei ter defraudado as expectativas de algumas leitoras mais atentas que buscaram o texto à procura de tórridas cenas de sexo sem delas verem nem um boi. Vou então contar-vos como se passou a minha primeira vez, a minha perca de virgindade por assim dizer, já que considero que foi com um brutal orgasmo que me despedi dessa pudica casca que carregava em mim e desde então nunca mais fui a mesma!

Há que acrescentar que os meus pais sempre quiseram ter um filho varão e quando eu nasci e notaram a falta de algo em mim sofreram uma grande desilusão, sobretudo o meu pai que nunca ultrapassou esse facto e me tratou sempre como se fosse o filho com que ele tinha sonhado. Depois da morte da minha mãe o meu pai continuou tratando-me como se fora filho homem agora com ainda mais convicção. Felizmente nunca cá sofri de perturbações por ter tido uma infância desregrada e feliz, já que aos putos se dava mais liberdade do que às miúdas e assim que se me vieram as curvas e outras coisas que essas sim poderiam não ter vindo, gostei de me ver e saber mulher e não deixei de olhar para a Maria Cristina da mesma forma do que antes ou até com mais intensidade e vontade do que antes.

Ai a Maria Cristina... que recordações picantes me sobem à memória sempre que me lembro dessa bela rubia de pele morena que cheirava sempre a tardes solarengas passadas entre correrias e risos juvenis à beira do único regato digno desse nome lá nas terras fronteiriças que os seus abuelos possuíam. Mari Cris era meio espanhola e era de uma beleza rara que me fazia eriçar todos os poucos pelitos que possuía sempre que a via chegar para mais uma temporada de férias no campo. Acho que não havia moço da aldeia que não cobiçasse a pequena, e possivelmente algumas moças também porque a beleza quando é assim tão forte e evidente apela a todos os géneros e feitios.

Mari Cris gostava de mim, achava-me uma certa piada pelo meu ar meio assexuado. Estou em crer que foi ela que me seduziu, ela com os seus modos e maneiras e os seus jeitos femininos e sensuais... foi ela que preferiu uma iniciação diferente do que aquelas que as suas coleguinhas de escola lhe relatavam, feitas de suor, sangue e lágrimas e pouco ou nada agradáveis para as meninas que assim se queriam tornar mulheres. Os rapazes são brutos, quase selváticos no que toca ao sexo e não era pela dor que Mari Cris se queria transformar.

Lembro-me perfeitamente desse verão, como se fosse hoje. Lembro-me dessa tarde em que Mari Cris me levou para a casa vazia dos seus avós e me disse que quando dali saísse já não seria a mesma. Lembro-me de tomarmos banho numa banheira enorme cheia de água morna e perfumada. E de como ela me olhou nos olhos e sem nunca os fechar me beijou na boca. E eu fechei os meus e senti um frémito interior tão grande que pensei que seguramente enlouquecia. Temporariamente sim, deixei-me ir entregando-me nas mãos dela que me ensaboavam as costas e os braços e as pernas numa tentativa de me transformar em algo decente e apetitoso para a sua boca que eu sentia colada ao meu pescoço subindo e descendo lentamente em beijos longos e quentes.

Secámo-nos e deitámo-nos na sua cama, uma cama de dossel enorme que Mari Cris me dizia ter pertencido a uma duquesa que ali mesmo se envenenou para acabar com o sofrimento de um terrível desgosto de amor. Para mim era seguramente a cama mais maravilhosa e confortável onde já me tinha deitado e não perdi um só momento a pensar nessa outra alma torturada quando a minha estava a pontos de ser purificada. Ai a Mari Cris e as suas mãos quentes de fada que me volteavam massajando-me e tocando-me e puxando-me para si, encostando-me aos seus peitos redondos e perfeitos como dois pêssegos maduros com a pele prestes a estalar.

É duro confesso... mas ela merece que eu conte esse dia em que ela me transformou numa mulher. É falso quem diz que uma mulher não sabe o que fazer a outra mulher. As mulheres que não sabem, não querem, nem gostam de tocar noutras mulheres dificilmente saberão, quererão ou até gostarão de tocar em homens ou até nelas próprias. E quem não gosta de si mesmo nunca gostará de outro alguém a pontos de lhe querer proporcionar momentos de prazer inolvidáveis. É de sexo que aqui se trata, mas de sexo com estilo e com alma, nada desses rituais rotineiros que os casais tanto enaltecem para justificarem qualquer coisa que não tem justificação possível uma vez que o desejo ou existe ou não existe e o sexo ou é maravilhoso porque há sintonia ou então torna-se num banal acto mecânico vagamente frustrante.

Como eu desejava a Mari Cris... e ela sabia-o, sentia-o e nesse dia provou o quanto também ela me desejava a mim. Foi um anjo que me agarrou e me prendeu contra si. E foi um demónio que soltou os seus dedos dentro do meu sexo molhado e latejante. Acariciou-me ao mesmo tempo que me enchia a cabeça de palavras que eu nunca antes ouvira. Em círculos, em passagens suaves alternando com outras mais pujantes, abriu-me o sexo e penetrou-me com os dedos que prontamente lambeu, sorvendo cada gota do meu sabor como se fosse o líquido mais precioso e saboroso à face da terra.

Ai Mari Cris... fez-me vir como se fosse eu mesma a fazê-lo, tocando nas pontas soltas que ansiavam por ser estimuladas. Não sei durante quanto tempo me vim, na altura os espasmos prolongaram-se durante uma pequena eternidade... e quando voltei a mim senti uma vontade tão grande de lhe oferecer o mesmo sentir que a puxei contra mim e a sentei na beira da cama, abrindo-lhe as pernas sem pudor e sentindo o seu calor e o seu cheiro a chamarem por mim. Não há prazer maior do que ver o sexo da mulher amada chamando por nós assim. Especialmente e sobretudo porque é mais o que se esconde do que aquilo que se vê e é precisamente no que se esconde que residem os maiores segredos e as maiores descobertas. Nunca na minha vida tinha provado nada tão doce, tão sublime, tão forte e tão intenso. Dizem-me que há mulheres que possuem sexos salgados, talvez derivado àquilo que comem, mas o sexo de Mari Cris era muito doce, inebriante mesmo.

Senti-a ofegar, senti que algo nela estava a mudar enquanto o seu líquido escorria pela minha boca num caudal cada vez mais abundante. Mari Cris, Mari Cris, vem-te Mari Cris e baptiza-me para a vida, para o amor e para o sexo!

Ai e fazê-la vir... e como ela se veio... e eu de joelhos sem querer largar aquele sexo poderosamente magnético. Por muito que tenha gostado de ter tido o meu primeiro orgasmo nunca poderei comparar ao que foi proporcionar um orgasmo a uma outra mulher e para mim é por aí que o sexo no feminino me valida e me completa. É um gesto de altruísmo só alcançável por uma mulher. São raros os homens que não são egoístas por natureza, que não pensem sempre e em primeiríssimo lugar no seu próprio prazer, talvez porque em termos reprodutivos é mesmo assim que tem que ser.

Mas em termos humanos o sexo sempre foi, é e será como cada um@ de nós assim o desejar. Mari Cris abriu-me os olhos e o corpo para o sexo feito de paixão e cumplicidade e eu nunca mais quis nada que não fosse assim, leve, intenso, poderoso e libertador!

Também há Sexo no Campo!

quinta-feira, junho 19

O mais parecido com a Amareleja que consegui encontrar!

Olá a tod@s e perdoem-me um certo nervosismo a raiar o deslumbramento mas não posso evitar estar aqui a dar pulinhos de contentamento por este que é o primeiro rasgo que tenho numa vida que tem sido demasiado morna apesar das temperaturas quentes que se fazem sentir lá fora. Como é evidente o meu nome verdadeiro não é Miranda que a minha mãe coitadinha nem estudos tinha para passar do terrivelmente básico Maria, que nervos! Mas escolhi esse nick para prestar homenagem a essa grande actriz e personagem Miranda Hobbes de quem eu tenho alguns traços sim, apesar de aqui ninguém ter testa para ver que o meu status vai bem para além dum simples cabelo ruivo.

Deve ter sido engano, só pode, porque eu sou definitivamente cosmopolita e carrego comigo este sonho de um dia desembocar numa qualquer grande cidade da Europa! Os States não me atraem, nem sequer se eventualmente o tal de Obama ganhar as eleições em Novembro que eu sei destas coisas muito bem porque como dizem os GF, o Meo chega aqui sem problemas nenhuns e eu tenho net a uma velocidade que estontearia aqui a velharia toda da terra que esses coitados, nunca viram uma auto-estrada em movimento quanto mais uma que anda à velocidade supersónica deste meu rico satélite que me veio salvar de morrer estúpida aqui neste canto escondido e esquecido feito de burros iletrados e vacas analfabetas.

Mas o que me traz aqui hoje, para além de agradecer muitíssimo a oportunidade que a linda dona deste espaço me concedeu, são duas coisas que me inquietam a moleirinha e uma delas é que de facto existem lésbicas no campo sim, porque não é apanágio das gentes da cidade gostarem de ver e de se encostar em mulheres bonitas. Eu gosto, gosto muito até, sempre gostei desde a mais tenra idade. O problema para nosotras é que aqui mulher bonita é coisa que não abunda e como tal lavo mais as vistas com a minha rica televisão digital do que em exemplares de carne e osso. Sempre que posso dou ali um saltinho à vizinha España que nestas matérias de direitos para tod@s está anos-luz à nossa frente, e viva la España! Se à beira de chegar à fronteira a estúpida e vesga da burra não tivesse soçobrado com o peso da minha mãzinha grávida quem sabe não seria eu uma orgulhosa españuelita cheia de salero e sevilhanas aos bordões que eu sou uma fã inconfessável da maravilhosa Papi da série letra L que também cá me chega via satélite e quando não chega sei bem dar uso aos 8 Mbps para me satisfazer a curiosidade em downloads pouco arriscados que ao menos valha-nos isso que polícias e ASAE aqui nem vê-los que fogem todos com o calor e o medo dos incêndios!

E a outra coisa é que em todos os anos que já vivi e sempre soube de mim continuo sem perceber porque raio hão-de os outros continuar a dizer que uma pessoa é lésbica por opção porque eu por opção sou ruiva, agora o resto é mesmo coisa que já nasceu comigo e de que desconfiei logo ali aos 5, 6 anitos quando me senti brutalmente inquietada por uma prof de ginástica bela e escultural que nos foi enviada de Beja e que me obrigava a dar cambalhotas atrás de cambalhotas e eu dava só para a ver sorrir para mim. Foi assim que eu soube, muito antes de saber que existia uma palavra para colar à minha condição com a qual convivo mais ou menos bem, enfim, eu comigo convivo bem, os outros, alguns, é que nem por isso mas também é para isso que com uma enorme alegria irei tentar encontrar aqui um canto, ainda que virtual e minusculito, para partilhar as agruras de ser uma quarentona ruiva e lésbica perdida numa aldeia esquecida onde posso atestar que há sexo q.b. e demasiado campo por aí espalhado, mas também não se pode querer tudo e eu dum modo geral até me encontro satisfeita e esperançada!

Vejo-vos a tod@s no arraial que é já no dia 28 de Junho! Onde houver festa e o comboio chegar eu lá estarei a marcar presença e a reivindicar tudo aquilo a que tod@s temos direito!

O Mês Arco-íris

segunda-feira, junho 9


E já estamos em Junho. O ano já vai a meio. Estamos no mês mais LGBT do ano. E este blog tem andado lento, às vezes, simplesmente parado. Mas a verdade é que a acompanhar a crise económica mundial, também na minha vida todos os indicadores andam no vermelho. Já é oficial este é o meu ano “horribilis”.

A vida não me tem dado descanso, as sovas sucedem-se e parece que o meu nick (Alma Rasgada) volta para me assombrar os dias, perturbar-me o sono, e acima de tudo roubar-me a piada. Tenho tentado escrever, acabo invariavelmente por apagar o que escrevo, falta-lhe humor, falta-lhe espírito, falta-lhe o que faz deste blog o “Lésbica: Simples ou com Gelo”!

Explicada a ausência, com o pedido de desculpas a acompanhar, voltemos ao título do post. Neste mês temos a marcha do orgulho e o arraial a 28, a 14 as jornadas contra a homofobia, e como bónus, a 20 tenho o meu 1º casamento Gay (em Londres claro, aqui seria impossível).

Com todos estes acontecimentos espero melhorar o estado de espírito e voltar a escrever. Que seja um excelente mês para tod@s! Cheio de orgulho, reflexão e festa!

É já amanhã!

quarta-feira, junho 4

17 Maio - Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia

sábado, maio 17

É hoje! Já agora vale a pena:

Consultar o mapa que assinala os Direitos Lgtbi pelo mundo.
Assinar a petição on-line para a criação de um Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia.

Fernanda Câncio

sexta-feira, maio 16


Um dia antes do Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia, aproveito para me juntar ao Max do Corpo e Alma no elogio que faz à jornalista Fernanda Câncio, se ainda não sabem porquê leiam a sua última crónica, que acaba desta brilhante forma: “Assumam-se. Repitam comigo: eu sou homofóbico. As coisas devem ter nomes certos, certo?”

ILGA - Forum Lisboa

quinta-feira, maio 15


Dia 17 de Maio

Kids

terça-feira, maio 13

Sabemos que os miúdos podem ser cruéis uns com os outros, pelo que as mães lésbicas acabam por ter de ensinar os miúdos a defenderem-se. Dito isto, ontem andava pela net a ver uns números de stand-up comedy feitos por lésbicas, em que a determinada altura uma das comediantes, que tinha 3 filhos, diz que ensinou os miúdos a responder da seguinte forma para cortar o mal pela raiz:

Miúdo – A tua mãe é lésbica?
Filho da Comediante – É, porquê? A tua mãe que sair com ela?

Hard Candy!

domingo, maio 11


Madonna beija desconhecida em palco.

God onde é que tu andas? E eu? Eu também sou desconhecida… Já não chega todas as semanas ludibriares-me com o Euro Milhões… Damn!

Links

sábado, maio 10

Andei a dar a volta aos links aqui da casa…

Deixo 3 dos que foram acrescentados ao Simples L: Sem Bikini – Um blog lesbo-feminista; Oráculo de Lesbos – Divulgação de trabalhos sobre e para lésbicas; e por fim Queer Girls – Noticias e opiniões.

 

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