Porque rir é sempre um bom remédio!

segunda-feira, setembro 29

Opá este fim de semana descobri esta peróla e ainda não consegui parar de rir!

YouTubeis e procureis por "Bicha do demónio".
Aqui fica uma piquena amostra:

Ventos de mudança

quinta-feira, setembro 25

Para quem não viu a reportagem da RTP ontem aqui fica o link:



"Certo é que são realidades crescentes, cada vez mais assumidas e incontornáveis."

E parabéns à RTP pela forma aberta e sensível como abordou o assunto das famílias compostas por dois pais ou duas mães.

"I Have a Dream"

segunda-feira, setembro 22



Agora que os ABBA voltaram a estar na moda não posso deixar de sorrir quando torno a ouvir esta música que há trinta anos atrás para mim não passava de uma melodia de sonoridade fácil. Na verdade já não acredito em anjos nem que todos têm uma parte boa dentro de si. Há pessoas muito invejosas, muito mesquinhas, muito ciosas de algo que não é seu e acredito fervorosamente que um dia tudo irá mudar, infelizmente não creio que seja brevemente. Não há vontade política dizem uns, eu acho que será mais porque a classe política portuguesa é extremamente facciosa (salvo raras excepções) e muito machista. Parece que voltámos aos tempos da rainha Vitória que acreditava que o lesbianismo era coisa de ficção e que tolerava os homossexuais desde que não lhe assustassem os cavalos!

Em vez de marcharmos com confiança em direcção a um futuro de liberdade, respeito e tolerância, voltamos atrás. Discute-se, debate-se, fala-se e escreve-se muito sobre a homossexualidade mas ninguém conhece a realidade das histórias de amor que se passam por trás da cortina da normalidade imposta por uma sociedade que se diz tolerante mas que não dá passo nenhum no sentido de o ser. Afinal há quantos anos a discriminação com base na orientação sexual passou a ser condenada pela nossa constituição? E porque é que descriminar um casal com base no sexo de cada um no acesso ao casamento civil não é também condenável, assim como seria descriminar um casal em que um dos elementos tivesse uma cor diferente do outro?

Estou descrente, o meu sonho existe mas não acredito puder vir a concretizá-lo em vida, pelo menos não no nosso país. Eu vivo uma bela história de amor igual à de tantas outras pessoas mas diferente de todas as outras porque é a minha. A minha mulher é minha porque um dia eu encontrei-a e escolhi-a assim como ela me escolheu a mim e demos todos os passos no sentido de nos tornarmos um casal, namorámos, demo-nos a conhecer, amámo-nos louca e apaixonadamente e decidimos finalmente ir viver juntas. Se fosse permitido por lei o próximo passo, lógico para ambas, seria o casamento civil.

Não porque isso mudasse uma vírgula que fosse à nossa única e maravilhosa história de amor. Apenas porque o nosso tempo aqui é finito e nós sabemos que daqui a vinte ou trinta anos outros valores poderão vir interpor-se entre aquilo que hoje estamos a construir a duas. Se eu ficar inválida ou quando morrer, quero que tudo o que é meu seja dela e sei que mesmo que faça um testamento em seu favor isso poderá não ser linear. Ninguém neste mundo quer saber da minha única e maravilhosa história de amor a não ser nós as duas mas um dia que uma de nós falte à outra... e é só nesse sentido que eu queria casar-me com ela, para que perante a sociedade civil ela tivesse um estatuto igual àquele que já tem (e sempre terá) para mim. Ela é a minha mulher, de corpo e alma. É o meu passado, presente e futuro. E mesmo que me digam que eu não devia nem querer saber o que se passará depois de mim, eu preocupo-me por ela e pelo que ela terá que passar um dia sem mim. Há barreiras que o amor não chega para transpor e a morte é uma delas.

Posso continuar a sonhar em ter um casamento de sonho, assim como contínuo a maravilhar-me com contos de fadas, mas isso não chega para acreditar que um dia o nosso país irá evoluir. Ainda assim sei também que as nossas histórias de amor se irão continuar a escrever porque o amor verdadeiro encontra sempre um caminho, mesmo que seja um caminho muito diferente e bastante mais complexo do que o usual. E isso não vai mudar, mesmo que no dia 10 de Outubro continue tudo tal como está.

Chorar sobre leite derramado

quarta-feira, setembro 3



Bem sei que já se passou mais de um mês mas Agosto tem destas coisas e o tempo quente que se faz sentir lá fora não é amigo de quem se refugia nos meandros da leitura e da escrita, muitas vezes para escapar a uma realidade que é demasiado branda para se servir a seja quem for que aqui venha à espera de um tónico, de preferência com gelo. E também sei que há exigências mínimas e é bom que assim se mantenham porque escrever com o intuito de entreter não é para qualquer uma e só as mais corajosas se atrevem a dar esse passo sem saberem o que as espera do outro lado.

No entanto nem sempre se consegue manter um controlo cerrado sobre aquilo que se produz... e muitas vezes somos expostas a más interpretações que arrasam toda uma reputação, muitas vezes ainda antes de nos dispormos a ir mais longe do que aquilo que ambicionamos. E para não massacrar mais as que aqui passam depois de umas férias bem merecidas e espero que bem passadas, passo a exemplificar daquilo que falo de modo menos críptico e mais passional.

Embora seja um facto que não me importa agora, nem me importou nunca, aquilo que pensam sobre mim porque eu não sou mais do que um fugaz nada que se ilumina por brevíssimos momentos e que se irá apagar um dia sem que o mundo lá fora dê por isso. Achar que o que faço ou digo tem relevância seria dar-me demasiada importância e eu sei bem o lugar que ocupo no grande esquema do universo (credo que agora até pareço um desses evangelistas do advento!) E não sou nada disso, apenas gosto de contar histórias para me manter entretida!

Bem dizia a minha avó que não se deve brincar com o fogo porque o fogo queima fazendo-o por vezes com artes e engenhos que não lembraria ao próprio diabo. Fui devassa na minha juventude, e tive daqueles momentos em que nos julgamos donas e senhoras do mundo e de algumas pessoas que nos rodeiam. É tão fácil achar que estamos na crista da onda, quase tão fácil como achar que estamos no mais fundo dos caixotes de lixo da vizinhança e arredores. Uma miúda assumidamente lésbica numa terra onde ainda nem se sabia bem o que isso era... imagine-se! Os homens olhavam para mim com desconfiança e natural curiosidade. As mulheres admiravam-me! Eu que andava por ali a espalhar aos quatro ventos que não precisava de homem nenhum, que estava perfeitamente bem sozinha, que filhos nem vê-los porque só trazem problemas e chatices, um dia... apaixonei-me! Tão profundamente que deixei de me reconhecer nas coisas que lhe dizia, e muito menos nas coisas que lhe dizia que por ela faria! Com Clara desaprendi tudo o que sabia e posso mesmo afirmar que ela mudou a minha vida completamente. É engraçado e talvez até interessante verificar como mudam os nossos percursos de vida após certos encontros que nos marcam indefinidamente. Mas na altura a coisa não se prestava a nenhum tipo de análise concreta e racional. A Clara passou a ser o meu motivo e modo de vida.

Claro que hoje sei o quanto ela se regozijava com isso! Deve dar uma noção de poder enorme saber que se mantém um ser vivo escravizado por todas as suas vontades e caprichos. E o amor torna-nos de facto cegos, e estúpidos. Mas também se assim não fosse quem se atreveria a abrir a sua intimidade por vezes tão cuidadosamente preservada a um perfeito estranho?

Clara estava na aldeia de passagem, numas férias que ela entendeu prolongar quando se apercebeu do efeito que tinha em mim. Calculo que não fosse difícil entender até onde eu pretendia chegar, calculo que ela se apercebesse perfeitamente das subtis mudanças de intensidade no meu olhar quando se acercava dos seus melhores e mais avantajados atributos. Tantas vezes me perdi naqueles decotes intencional e escandalosamente descaídos para provocar. Se dúvidas houvessem, e eu nessa altura já não tinha nenhumas, passaria a saber muito bem qual é a parte do corpo da mulher que acende aqui o meu pequeno foguetão interior. E que par, senhoras, que par! Que se chegue à frente a mulher que nunca olhou para um belo par sem segundas intenções! Ainda hoje tremo só de pensar... na obsessão que se tornou em mim puder abraçar aquele par e cheirar aquele cheiro doce e quente... e tocar naquela pele que é a mais suave e macia que se pode encontrar... e saborear o suor que por vezes ali escorre, mais doce que salgado, mais mel do que fel...

Não era só disso que se tratava o meu súbito interesse por Clara, mas foi por aí que tudo começou. Foi esse o seu atributo que me levou a sonhar com noites infindáveis de paixão e de prazer. Era ao meio dessas montanhas que eu almejava chegar, percorrendo caminhos onde me sonhava destemida pioneira, só as minhas mãos, os meus dedos e a minha língua poderiam sobrevoar e aterrar naqueles picos que adivinhava tesos através dos decotes indecorosos de que Clara abusava. E sempre que a convidava para o proverbial café, todas as tardes quando a avistava no seu passeio diário do meu poiso na oficina onde então trabalhava, ela aceitava com uma acentuada reclinação do regaço que não deixava margem para dúvidas, a fala evaporava-se, e tinha mesmo que me forçar a respirar tentando não perturbar a visão do que ela ali me expunha.

Assim se passaram semanas, ela provocando-me e eu tentando arranjar uma deixa, um motivo, qualquer coisa inteligente que me permitisse chegar mais perto dela e mais longe do que todos os seus outros amantes. Clara tinha um passado pejado de homens, ou pelo menos ela assim o apregoava. E nesses instantes alguém, eu própria, deveria ter concluído que eu seria apenas mais uma estaca nessas outras tantas que ela já enterrara no campo dos amantes passados. Mas na inquietação dos meus verdes anos achei que se ela se desse a provar a uma mulher nunca mais iria querer saber de homem nenhum. E foi por meias palavras, talvez mais por olhares e tocares, que lhe dei a entender que a queria no sentido bíblico pois porque não são só o homem e a mulher que se deitam juntos para se amarem. Duas mulheres também se podem amar assim, atingindo profundidades no prazer que não são equiparáveis a nada mais que exista no mundo das emoções e sensações. E quem não tem conhecimento de causa não pode opinar sobre o que nunca lhe passará pela cabeça, corpo e alma.

Um dia Clara perguntou-me se eu era virgem. Assim sem mais outro assunto entre nós que não o estado do tempo ou os seus afazeres na grande cidade. Ao que eu visivelmente corei porque não sabia como explicar-lhe que era virgem no sentido de nunca me ter deitado com um homem, mas que não me sentia virgem por já ter estado com várias mulheres e já ter conhecido os prazeres do sexo sem condicionantes nem limitações. Provavelmente seria a mulher mais sexualmente activa da aldeia e no entanto muitos me consideravam virgem por nunca ter tido um namorado! Eu respondi-lhe que sim e não sabendo que uma resposta dessas não serve a quem quer chegar ao fundo das questões. Mas naquele momento serviu para me refrescar a alma no seu riso cristalino e contagiante. "Não digas mais nada..." falou a voz da experiência. "Tenho pena porque um dia vai-te fazer falta." Assim! Sem mais! E eu indignada! "Falta porquê?? Ora essa!" E era ela que me vinha dizer que deixar de ser virgem, com um homem, era coisa que me ia importar no futuro! Nesse ponto posso categoricamente afirmar que ela estava redondamente enganada! Nunca me fez falta um homem, em termos sexuais, emocionais, financeiros, racionais ou outros que tais. Felizmente sempre consegui viver a minha vida sem homem algum ao meu lado e isso é algo de que me orgulho particularmente porque sempre me disseram que uma mulher sozinha, ou mesmo acompanhada de outra, nunca chegaria a lado nenhum.

Quase deixei de lhe falar por isso mas hoje acho que ela o disse só para me espicaçar ainda mais. Como se uma mulher precisasse mesmo de um homem, como se um homem fosse aquilo que ela precisava deixando no ar que eu era uma mera distracção casual. E a partir daí eu esforcei-me para lhe mostrar que não acreditava nessa sua mentalização sexista, porque o mundo e a sociedade estavam a mudar, e as mulheres já não precisavam de um homem para as proteger e sustentar. E quanto mais eu tentava mais ela se ria de mim, e mais eu me enredava, prisioneira daquele riso cristalino e daqueles seus atributos que não me deixavam parar de sonhar.

Um dia Clara teve que voltar aos seus afazeres citadinos, mas nem por isso pararam os meus sonhos. Por muitas noitadas que fizesse tentando perder-me noutros corpos e noutros cheiros, não conseguia libertar-me da imagem de Clara, gozando-me, provocando-me, assegurando-me que um dia um homem me viria cravar uma estaca apagando assim o meu fogo e matando aquilo que eu considerava ser a minha essência.

Mas chegou uma carta e não era daquelas cheias de baboseiras que as miúdas doutras aldeias me costumavam enviar. Era uma carta seca, profissional, convocando-me para uma reunião num escritório de advogados na cidade. Só percebi que era dela pela assinatura no fim. Impressionante... e intimidante! Quereria ela apresentar-me a algum fulano dos seus conhecimentos? Quereria ela iniciar-me nesse mundo sexual que ela dizia tão bem conhecer? Fiquei apavorada mas peguei nesse meu lado imprudente e fui!

O meu encontro com Clara a sós... havia meses que sonhava com aquele momento em que podia finalmente senti-la no meus braços. Entregue a mim e submissa. Rendida aos meus encantos e charmes. E não há sempre momentos em que nos sentimos vitoriosos e confiantes? Em que nada pode correr mal porque sabemos e conhecemos as nossas capacidades e sentimo-nos à altura deste mundo e do outro? Eu era assim, a entrar no que efectivamente me parecia um escritório e a olhar para Clara semi-desnuda, sentada numa chaise longue olhando para mim daquela forma lânguida e pré-coital que eu conhecia tão bem. "Mostra-me o que sabes fazer..." e aquilo foi música para os meus ouvidos! Esqueci passado e nervosismo e empenhei-me em mostrar-lhe como eu sabia amar uma mulher. Adorei e reverenciei devidamente os seios generosos que pela primeira vez podia tocar e cheirar e beijar. Eram tal como tinha sonhado mas em mil vezes melhor, porque há uma componente substancial que nem em sonhos conseguimos alcançar. Talvez seja um regresso à tenra infância, a memórias tão longínquas guardadas em bocados fragmentados de nós, que nos leva a querer tanto esse contacto, nesse preciso lugar onde um dia fomos alimentados e embalados por quem nos quis mais do que ninguém.

Ela libertava-se por baixo de mim, sentia-a vulnerável, aberta aos avanços que eu tinha delineado. Não sem antes a beijar pela primeira vez e assim selar aquela paixão que me tinha consumido durante tantos meses. E nela era tudo bom, um verdadeiro festim sensorial!

Sentindo-a favorável, apressei-me para chegar lá onde eu queria e ela facilitou-me o caminho, abrindo as pernas e deixando-me chegar mais perto do seu sexo que já tinha sentido abundantemente humedecido. Estava já no meu auge e sabia que podia levá-la comigo mas de repente... leite! Era leite o que escorria do seu sexo oferecido! Nunca tinha visto nada assim e espero nunca mais nada assim ver! Um líquido espesso e branco... que hoje sei ser proveniente do marido que a agredia e violava quase diariamente!

Perante aquele cenário chorei, e sempre que me lembro de Clara choro novamente. Não consumei o acto, não fui capaz perante tamanha evidência de actos recém passados. Pedi-lhe desculpa, disse-lhe que se quisesse experimentar uma mulher que procurasse outra porque eu não iria conseguir abstrair-me desse leite que escorria entre nós. E assim acabou essa história que tanto me marcou. Muito do que chorei, e do que ainda hoje choro, se remete a esse leite ali tão vilmente derramado!

2º Aniversário - Lesboa Party

quarta-feira, agosto 20


Lá estarei!!!

terça-feira, julho 29


De férias, com o espírito e o corpo a precisar de descanso, vejo numa tabacaria uma nova revista... Levo-a, à espera de ver a coragem estampada numa publicação nacional que já fazia falta: uma revista Gay!

Chego à praia, espalho as tralhas e dedico-me a desvendar sofregamente todos os recantos da dita, sempre à espera de uma surpresa, sempre à espera de algo novo. Ouvi reclamações jocosas de falta de atenção, mas eu estava determinada. Depois de umas horas a fritar para a análise não ser injusta, desisti. Sempre as mesmas caras, sempre as mesmas histórias, sempre o mesmo recanto lisboeta que se corre numa horita..

Bem sei que é o primeiro número e que a minha opinião corre o risco de ser bombardeada de críticas, porque à falta de tudo não se pode reclamar. Esta minha opinião vai no sentido de dizer que quem tem a coragem, o investimento até monetário de se meter numa destas, que vá em frente a fim de desvendar o que o mundo gay/lésbico português (e não só) tem de novo para mostrar e para dar.

Têm agora a faca e o queijo na mão. Descubram e dêem a conhecer aquilo que não sabemos. Explorem! Estamos tod@s à vossa espera!!!

Antes perneta que maneta!



Esta noite tive um daqueles sonhos bizarros em que passado e futuro se misturam sem nenhuma coerência nem consistência mas que me deixou a cismar com uma história que se passou aqui há uns anos quando eu por incúria ou idiotice me deixei envolver com uma mulher “casada”. Eu sempre disse e continuo a dizer que não é correcto investir nesse tipo de relacionamentos até porque há vários cenários possíveis e nenhum deles interessa a todas as partes envolvidas, pelo menos não na actualidade social deste cantinho soalheiro onde vivemos. Isto trocado por miúdos significa que olhar é normal porque ninguém é cego e o que é belo é para ser apreciado, pois claro! Mas daí a dar o passo e entrar numa intimidade que não é nossa em exclusivo, isso já requer uma mestria emocional que a mim me ultrapassa. Sou da velha escola e acredito na exclusividade das relações até porque não acredito na capacidade dos seres humanos em gerirem uma proliferação de afectos para além desse único e especial que nos liga à pessoa da nossa vida, pelo menos no momento presente.

Bom mas da única vez em que cometi o erro de meter a colher entre mulher e mulher apanhei um susto tão grande que jurei para nunca mais! É certo que a mulher da mulher não era uma mulher qualquer. E é certo que eu trazia uma paixão assolapada por ela já desde os tempos de liceu. E é certo também que eu por vezes achava que a Lucinda me dava troco, fosse por certos olhares mais intensos, fosse por uma mão propositadamente deixada sobre o meu braço queimando-me a pele e deixando-me à beira do desespero. E ela era uma mulher muito bonita, de pele espontânea e clara e de olhos translúcidos e directos, e eu já aqui confessei que não sou insensível à beleza magnética de certas mulheres.

Mas a Lucinda tinha uma prometida, sempre teve desde que nos tornámos gente. A Ana Isabel era uma espécie de sombra, onde estava a Lucinda ela aparecia atrás, sempre vigilante, sempre protegendo a eleita do seu coração. Não era possível dissociar uma da outra, de tal forma se moviam juntas para todo o lado. Já na altura era uma escandaleira lá na terra porque elas sempre se declararam namoradas e não queriam saber das conversas de pais, padres e psicólogos que lhes diziam que não era possível terem tanta certeza da sua sexualidade sendo tão novas. Chegavam a pedir-lhes que experimentassem com fulano e sicrano, garanhões de serviço, antes de se comprometerem dessa forma tão explícita! Como se a experimentação de um prazer não desejado pudesse de alguma forma mudar o que não pode nunca ser mudado! Quanto mais insistiam para que se separassem mais elas insistiam que nunca jamais em tempo algum nenhum ser vivo se intrometeria na sua irmandade de sexo e de sangue.

Então porque foi que um dia a Lucinda apareceu sozinha na oficina da Ana Maria pedindo para falar comigo como se a sua vida dependesse disso? Então porque foi que a Ana Maria achou por bem encontrar um ponto de encontro secreto onde Lucinda e eu pudéssemos aprofundar laços que eu unilateralmente já lhe lançara? Então porque foi que eu sabendo que a Lucinda não me pertencia fui ao seu encontro de braços e coração abertos, querendo saber porque era que ela me queria, como era que ela me queria e porque não antes, antes do “casamento”, antes desse tempo todo em que eu tinha tentado enterrá-la nos baús das memórias do meu passado? Não sei. Apenas sei que fui querendo apertá-la nos meus braços e dizer-lhe que eu sempre a tinha amado e desejado muito, apesar da outra.

Lucinda estava triste, um pouco cabisbaixa e apática, como se tivesse chegado a um beco sem saída. A sua vida não era aquilo que ela queria, disse-me. Algures no tempo tinha deixado de governar as rédeas da sua vontade e tinha cedido o seu lugar a uma outra cavaleira, mais destemida e assertiva do que ela. Durante anos cedeu a tudo, deixou-se levar por uma existência confortável e desafogada. Até ao dia em que se olhou ao espelho e não se reconheceu naquele ser de aparência indiferente e desleixada. A vida deixou de ser vida, passou a ser uma sucessão de dias, minutos, todos iguais uns aos outros, todos cinzentos, indistinguíveis, frustrantes, sufocantes minutos em que nem força sentia para se debater contra algo que se tinha apoderado daquilo que ela era deixando-a feito esqueleto de si própria.

A minha Lucinda que não era minha excepto nesse brevíssimo momento em que se agarrou a mim e me pediu que a salvasse duma vida que não era vida. Vamos, pedia-me, fugimos as duas, passamos a fronteira, vamos viver bem longe desta terra e desta gente, e dela... da outra que a queria sem a querer deixar ser aquilo que ela era. E eu por um momento sensível ao seu desespero dizia-lhe que por mim sim, fugíamos pois, nós sem dinheiro mas qualquer coisa se arranjaria nem que eu tivesse que me ir oferecer à beira da estrada aos indigentes que por ali passavam desejosos duma foda apressada. Ela chorava agarrada a mim e nesse momento os nossos lábios tocaram-se e sofregamente nos beijámos. E eu senti que a amava, intensamente, terrivelmente, desesperadamente iria tentar fazer o impossível para me juntar aquela Lucinda que não era minha.

Combinámos encontrarmo-nos todos os dias dessa semana, e todos os dias fazíamos planos, traçávamos caminhos de fuga para amanhã, ou depois, ou seguramente um dia muito próximo do seguinte. E amávamo-nos loucamente, com uma intensidade que nunca tinha sentido até então no meio de juras desse amor eterno que esperava por nós um dia, bem longe de tudo e de todos. Os dias passaram, a loucura manteve-se durante todo o verão até que um dia... ninguém sabe como, ninguém sabia, ninguém vira, ninguém comentara, mas um dia a Ana Isabel apanhou-nos juntas. Ainda me lembro da sua cara transtornada, das veias do pescoço a pulsarem furiosamente à medida que ela arrancava Lucinda dos meus braços e depois me empurrou num vértice de violência desmesurada, pontapeando-me e esmurrando-me, querendo apagar de mim memórias que eram só suas, da sua intimidade de casal onde eu nunca pertencera e de onde era agora selvaticamente expulsa.

Senti o sangue a jorrar-me nariz e boca adentro, o seu gosto acre a contrastar com o sabor doce dos beijos da Lucinda que nesse dia morreu para o mundo e para mim. Apanhei uma carga de pancada tão grande que julguei que nunca mais me levantava. E nesses momentos em que estive entre a vida e a morte sufocando no meu próprio sangue que me inundava as entranhas, jurei que tinha sido a primeira e última vez. Foi a Ana Maria que me salvou, me encontrou naquele estado e me levou para as urgências para que me cozessem rasgões e concertassem fracturas. A ela devo-lhe a vida e à minha avó a clarividência de espírito com que tentou confortar-me na primeira visita que recebi no hospital. Depois de avaliar os estragos nos meus membros inferiores a minha querida avó virou-se para mim a sorrir e disse-me "na difícil arte de amar mais vale perneta que maneta minha filha, nunca te esqueças disso, mais vale perneta que maneta!"

Arriba el rollo bollo!

terça-feira, julho 8




"Gran participación en los actos del Orgullo LGTB 2008

Cogam, Colectivo de lesbianas, gays, transexuales y bisexuales de Madrid, agradece a los más de dos millones de personas que han participado en los diferentes actos del Orgullo LGTB 2008 en Madrid.

COGAM, considera un éxito la participación ciudadana (estimada en un millón cien mil personas a las 20:00) en la convocatoria estatal de la Manifestación del Orgullo LGTB 2008 con lema "por la visibilidad lésbica". A lo largo de la manifestación se han gritado consignas como "arriba el rollo bollo", "bollo a la vista", "lesbiana se escribe con v de visible", "en las aceras también hay bolleras", …

La manifestación del Orgullo LGTB se ha convertido de facto en el evento más multitudinario que se da cita anualmente en la ciudad de Madrid, siendo la mayor exhibición de diversidad, solidaridad, tolerancia y multiculturalidad.

Como novedad este año se realizó una Caravana del Orgullo, que recorrió los municipios de Getafe, Fuenlabrada y Alcorcón y fue recibida por los diferentes alcaldes de estos municipios. Dado el éxito de esta iniciativa, se repetirá anualmente."


E foi assim que num escaldante final de tarde a multidão se levantou feita touro enraivecido e pateando o solo fez a terra estremecer. E levantando os cornos plenos de orgulho traçou no ar rotas de liberdade que conduzirão os povos à nova democracia!

Pelo menos uma vez na vida toda a gente devia marcar presença no meio desta multidão em festa. Em Espanha já muito se fez mas ainda há muito por fazer. E se os espanhóis lideram esta luta em prol da igualdade de direitos nós por cá esperamos que talvez os ventos desta vez nos tragam bons casamentos.

Foi comovente ver parelhas de novios com os dizeres ‘Recien Casados’, não vi nenhuma parelha de novias mas vi montones de parelhas femininas, parece que elas corresponderam ao apelo uma vez que este ano a marcha era delas e para elas. Foi imperdível! Fiquei fã e seguramente voltarei muitas mais vezes!

Viva la España! Olé!

Memórias coloridas

quinta-feira, julho 3



O Verão tem destas coisas que nos faz soltar o pensamento tanto como a língua que por vezes percorre desenfreada e gulosa por memórias que nos torram e queimam os centros nevrálgicos que sabíamos que tínhamos e mais uns quantos que nunca imaginámos possuir. É verdade que tive uma juventude bem recheada de sensações e emoções, não me queixo de todas as seivas que por mim passaram e em mim escorreram, aliás hoje canto-as para que saibam da importância que tiveram em mim. A minha pueril sede de prazer transformou-se em fonte de letras e palavras que recriam outras vidas e outros tempos, alegres, despreocupados e despudorados também. Precisei de tudo isso para chegar onde estou hoje, à tranquilidade dos “entas” e da vida de casada com a mulher que amo.

Hoje acordei com os acordes daquela velhinha música do Juan Luis Guerra na cabeça, essa mesma de que todas se recordarão tão bem, do peixe que se deixa enfeitiçar pela sereia e se enfia na sua gruta feita aquário de cristal onde por momentos se deixa aprisionar para que ela possa tão somente desfrutar da alegria contagiante das borbulhas de amor que o peixinho tão delicadamente vai soprando na direcção do seu... talvez isso, não sei, mas esta música sempre me evocou imagens poderosas de estrondosos prazeres subaquáticos e para isso muito contribuiu o encontro que me sucedeu faz por esta altura uns dez anos... ou talvez mais que a memória tem destas particularidades ao manter a vivacidade das cores e a intensidade dos momentos independentemente da distância temporal que deles nos separa.

Foi com uma espanhola pois... já aqui confessei que fraquejo perante certas beldades latinas e esta tinha um fogo interior que não passava despercebido a ninguém, homem, mulher, ou até animal! Qué de pasión... ui! Essa noite não foi a primeira que nos vimos, ou por outra, talvez fosse a primeira vez que ela olhava para mim embora eu já seguisse o seu rastro há vários verões. Sabem aquelas mulheres que arrastam toda uma história atrás de si e que nos estonteiam pela intensidade com que num só olhar nos permitem vislumbrar a paixão que trazem dentro delas? Sabem aquelas mulheres que levam muitos à loucura e que conscientemente ainda nos fazem arrependermo-nos de todos os nossos amantes passados e futuros? É dessas que reza a história, dessas helenas de Tróia, que tão subtilmente nos subjugam e arrebatam e nos elevam aos píncaros ainda que apenas por brevíssimos momentos.

Nessa noite estava um calor daqueles espessos e pesados mas mesmo assim isso não me impediu de ir comemorar para o local do costume. Não me lembro ao certo ao que a comemoração se referia, mero pormenor que deixou de ter relevância após tudo o que me aconteceu. Fui com o grupo do costume e ela estava lá, nesse bar sito em terra indefinida onde como sempre deixámos sotaques e costumes amontoados à porta da saída. Assim despojada entrei e senti logo o olhar dela sobre mim, intenso e poderoso como uma mão firme pousada sobre o meu peito marcando um território prestes a ser ocupado. Há dias assim, em que uma invasão unilateral nos cega e nos tolhe a vontade de reacção, deixando-nos à beira do altar prestes a sacrificarmo-nos às deusas do amor e do prazer.

Durante horas bebi e dancei e em todos os momentos nunca deixei de a sentir ali, obsessiva e predadora, observando-me de todos os ângulos, empurrando-me para um canto de onde eu sabia que não iria nem quereria conseguir escapulir-me. Falou-me ao ouvido, segredou-me palavras que me transportaram para outros tempos e eu ali fiquei enfeitiçada pelo fogo latino que cirandava à minha volta.

“Mi casa” fui, foi, algo que nunca tinha feito antes e nunca voltei a fazer depois mas como resistir-lhe se a minha vontade já se tinha colado à dela tanto como a pele dos nossos corpos suados? Foi então que ouvi e senti essa música de Juan Luis Guerra numa coreografia que imaginei ter sido criada só para mim... “mojjjjaaadaaaa em ti” rosnava a leoa enquanto se despia e me despia até ficarmos só as duas nuas “bajo la luna”.

Normalmente não gosto e não me deixo levar no que toca ao sexo, prefiro ser eu a marcar o ritmo e a definir até onde esticam os meus limites. Mas nessa noite de loucura a minha voz calou-se perante a potência da sua e foi tudo como ela quis que fosse. Assumi-me passiva sem nunca o ter sido e deixei as suas mãos experientes brincarem com o meu corpo e o meu sexo. Movimentando-se duma forma fascinantemente perversa encostou-me a uma parede e atou-me as mãos a uma espécie de tela preparada para o efeito. Semi-reclinada, de mãos atadas como se fora algum Cristo abandonado a uma sorte desconhecida fechei os olhos e entrei numa outra dimensão, puramente sensual e sensorial.

Ela continuava a invocar algum demónio em forma de peixe à medida que lenta mas firmemente me abria as pernas para que pudesse explorar a gruta aquário que tinha elegido como seu abrigo nesta noite de lua cheia. Em pequenos toques suaves me penetrou de tal forma que senti toda a sua forma dentro de mim, boca, olhos, nariz, cauda, barbatanas, escamas que levemente se roçavam agigantando a gruta viva de onde brotavam mil pequenas fontes de água límpida e salgada que ela impacientemente sorvia. Espantoso era a forma como o meu corpo se lhe rendia aumentando a intensidade com que as águas cediam à medida que a cadência das suas borbulhas turbilhões aumentavam dentro de mim. Já não eram as suas mãos, nem a sua boca, nem a sua língua mas sim verdadeiras e majestosas ondas que se formavam à medida que a gruta atingia o seu auge e eu me sentia prestes a explodir sem me puder conter. E não me contive e foi como se uma enorme barragem se quebrasse pela força dos espasmos primordiais que me percorreram lançando jactos orquestrados com mestria por essa mulher libertadora que me quis mergulhar num mar imenso de infindáveis prazeres.

Talvez eu seja uma sortuda, bafejada pela sorte e pelo amor, mas neste início de verão escaldante é com imenso agrado que recordo todos estes pequenos detalhes que dão vida e cor à minha extensa manta de memórias coloridas.

Há sempre tantos caminhos

segunda-feira, junho 30

nota: o título e a fotografia podem não ter nada a ver com o texto. Ou então até têm.

Com isto dos caminhos para escolher não quero dizer que gosto de mulheres por escolha. O que escolhi foi viver os meus amores e paixões plenamente, quer fossem eles homens ou mulheres.

Agora, não me ponham um homem que dança bem e mexe bem as ancas a dançar comigo. Há umas semanas atrás fui ao jantar da Pós-Graduação (o 1º que fui durante todo o ano). A sangria desceu bem e eu já estava bem acelerada. Acabamos todos num bar dançante ao lado do restaurante.

Ah pois é, salsa foi a dança da noite e não é que descobri que um colega meu dança mesmo muito bem. O que posso dizer é *ai* *ai*. Se dissesse que aquelas ancas mexeram comigo estaria a exagerar mas se dissesse "no passa nada" estaria a mentir com quantos dentes tenho na boca.

Em chegando a casa, o álcool ainda a circular no sangue, agarrei no portátil e resolvi enviar um e-mail ao rapaz. *ai**ai*. Havia 4 R's na lista de e-mails da turma. Resultado, enviei o e-mail ao R errado. Quando descobri a falta de pontaria não voltei a tentar... já não havia álcool no meu sangue.

Agora o caminho a percorrer seria o contar ou não à M o que se tinha passado na noite anterior (até porque a meio do jantar e depois de uma qualquer frase minha um colega perguntou "Quem é a M?" e eu respondi muito calmamente e prontamente "É a minha namorada"... claro que dias depois toda a turma já sabia... é o que dá não pensar). Decidi contar e quando ela chegou à praia fiz-lhe o prólogo e o epílogo sem esquecer a entremeada entre os dois. Ela não ficou nem contente, nem triste, nem irritada. Acho que ficou apreensiva.

Poderia não ter contado nada mas achei que devia contar. Qualquer uma de nós sabe que mesmo estando apaixonadas e a amar o mundo exterior existe e as tentações também. O que importa é o que fazemos com essas tentações.

Nota: numa das aulas posterior ao jantar contei ao R o e-mail que enviei por engano ao outro R. Deu para rir e ficou mesmo por aí.

Ai e o sexo no campo... pois!

sexta-feira, junho 20



Agora voltando atrás e abaixo verifiquei que poderei ter defraudado as expectativas de algumas leitoras mais atentas que buscaram o texto à procura de tórridas cenas de sexo sem delas verem nem um boi. Vou então contar-vos como se passou a minha primeira vez, a minha perca de virgindade por assim dizer, já que considero que foi com um brutal orgasmo que me despedi dessa pudica casca que carregava em mim e desde então nunca mais fui a mesma!

Há que acrescentar que os meus pais sempre quiseram ter um filho varão e quando eu nasci e notaram a falta de algo em mim sofreram uma grande desilusão, sobretudo o meu pai que nunca ultrapassou esse facto e me tratou sempre como se fosse o filho com que ele tinha sonhado. Depois da morte da minha mãe o meu pai continuou tratando-me como se fora filho homem agora com ainda mais convicção. Felizmente nunca cá sofri de perturbações por ter tido uma infância desregrada e feliz, já que aos putos se dava mais liberdade do que às miúdas e assim que se me vieram as curvas e outras coisas que essas sim poderiam não ter vindo, gostei de me ver e saber mulher e não deixei de olhar para a Maria Cristina da mesma forma do que antes ou até com mais intensidade e vontade do que antes.

Ai a Maria Cristina... que recordações picantes me sobem à memória sempre que me lembro dessa bela rubia de pele morena que cheirava sempre a tardes solarengas passadas entre correrias e risos juvenis à beira do único regato digno desse nome lá nas terras fronteiriças que os seus abuelos possuíam. Mari Cris era meio espanhola e era de uma beleza rara que me fazia eriçar todos os poucos pelitos que possuía sempre que a via chegar para mais uma temporada de férias no campo. Acho que não havia moço da aldeia que não cobiçasse a pequena, e possivelmente algumas moças também porque a beleza quando é assim tão forte e evidente apela a todos os géneros e feitios.

Mari Cris gostava de mim, achava-me uma certa piada pelo meu ar meio assexuado. Estou em crer que foi ela que me seduziu, ela com os seus modos e maneiras e os seus jeitos femininos e sensuais... foi ela que preferiu uma iniciação diferente do que aquelas que as suas coleguinhas de escola lhe relatavam, feitas de suor, sangue e lágrimas e pouco ou nada agradáveis para as meninas que assim se queriam tornar mulheres. Os rapazes são brutos, quase selváticos no que toca ao sexo e não era pela dor que Mari Cris se queria transformar.

Lembro-me perfeitamente desse verão, como se fosse hoje. Lembro-me dessa tarde em que Mari Cris me levou para a casa vazia dos seus avós e me disse que quando dali saísse já não seria a mesma. Lembro-me de tomarmos banho numa banheira enorme cheia de água morna e perfumada. E de como ela me olhou nos olhos e sem nunca os fechar me beijou na boca. E eu fechei os meus e senti um frémito interior tão grande que pensei que seguramente enlouquecia. Temporariamente sim, deixei-me ir entregando-me nas mãos dela que me ensaboavam as costas e os braços e as pernas numa tentativa de me transformar em algo decente e apetitoso para a sua boca que eu sentia colada ao meu pescoço subindo e descendo lentamente em beijos longos e quentes.

Secámo-nos e deitámo-nos na sua cama, uma cama de dossel enorme que Mari Cris me dizia ter pertencido a uma duquesa que ali mesmo se envenenou para acabar com o sofrimento de um terrível desgosto de amor. Para mim era seguramente a cama mais maravilhosa e confortável onde já me tinha deitado e não perdi um só momento a pensar nessa outra alma torturada quando a minha estava a pontos de ser purificada. Ai a Mari Cris e as suas mãos quentes de fada que me volteavam massajando-me e tocando-me e puxando-me para si, encostando-me aos seus peitos redondos e perfeitos como dois pêssegos maduros com a pele prestes a estalar.

É duro confesso... mas ela merece que eu conte esse dia em que ela me transformou numa mulher. É falso quem diz que uma mulher não sabe o que fazer a outra mulher. As mulheres que não sabem, não querem, nem gostam de tocar noutras mulheres dificilmente saberão, quererão ou até gostarão de tocar em homens ou até nelas próprias. E quem não gosta de si mesmo nunca gostará de outro alguém a pontos de lhe querer proporcionar momentos de prazer inolvidáveis. É de sexo que aqui se trata, mas de sexo com estilo e com alma, nada desses rituais rotineiros que os casais tanto enaltecem para justificarem qualquer coisa que não tem justificação possível uma vez que o desejo ou existe ou não existe e o sexo ou é maravilhoso porque há sintonia ou então torna-se num banal acto mecânico vagamente frustrante.

Como eu desejava a Mari Cris... e ela sabia-o, sentia-o e nesse dia provou o quanto também ela me desejava a mim. Foi um anjo que me agarrou e me prendeu contra si. E foi um demónio que soltou os seus dedos dentro do meu sexo molhado e latejante. Acariciou-me ao mesmo tempo que me enchia a cabeça de palavras que eu nunca antes ouvira. Em círculos, em passagens suaves alternando com outras mais pujantes, abriu-me o sexo e penetrou-me com os dedos que prontamente lambeu, sorvendo cada gota do meu sabor como se fosse o líquido mais precioso e saboroso à face da terra.

Ai Mari Cris... fez-me vir como se fosse eu mesma a fazê-lo, tocando nas pontas soltas que ansiavam por ser estimuladas. Não sei durante quanto tempo me vim, na altura os espasmos prolongaram-se durante uma pequena eternidade... e quando voltei a mim senti uma vontade tão grande de lhe oferecer o mesmo sentir que a puxei contra mim e a sentei na beira da cama, abrindo-lhe as pernas sem pudor e sentindo o seu calor e o seu cheiro a chamarem por mim. Não há prazer maior do que ver o sexo da mulher amada chamando por nós assim. Especialmente e sobretudo porque é mais o que se esconde do que aquilo que se vê e é precisamente no que se esconde que residem os maiores segredos e as maiores descobertas. Nunca na minha vida tinha provado nada tão doce, tão sublime, tão forte e tão intenso. Dizem-me que há mulheres que possuem sexos salgados, talvez derivado àquilo que comem, mas o sexo de Mari Cris era muito doce, inebriante mesmo.

Senti-a ofegar, senti que algo nela estava a mudar enquanto o seu líquido escorria pela minha boca num caudal cada vez mais abundante. Mari Cris, Mari Cris, vem-te Mari Cris e baptiza-me para a vida, para o amor e para o sexo!

Ai e fazê-la vir... e como ela se veio... e eu de joelhos sem querer largar aquele sexo poderosamente magnético. Por muito que tenha gostado de ter tido o meu primeiro orgasmo nunca poderei comparar ao que foi proporcionar um orgasmo a uma outra mulher e para mim é por aí que o sexo no feminino me valida e me completa. É um gesto de altruísmo só alcançável por uma mulher. São raros os homens que não são egoístas por natureza, que não pensem sempre e em primeiríssimo lugar no seu próprio prazer, talvez porque em termos reprodutivos é mesmo assim que tem que ser.

Mas em termos humanos o sexo sempre foi, é e será como cada um@ de nós assim o desejar. Mari Cris abriu-me os olhos e o corpo para o sexo feito de paixão e cumplicidade e eu nunca mais quis nada que não fosse assim, leve, intenso, poderoso e libertador!

Também há Sexo no Campo!

quinta-feira, junho 19

O mais parecido com a Amareleja que consegui encontrar!

Olá a tod@s e perdoem-me um certo nervosismo a raiar o deslumbramento mas não posso evitar estar aqui a dar pulinhos de contentamento por este que é o primeiro rasgo que tenho numa vida que tem sido demasiado morna apesar das temperaturas quentes que se fazem sentir lá fora. Como é evidente o meu nome verdadeiro não é Miranda que a minha mãe coitadinha nem estudos tinha para passar do terrivelmente básico Maria, que nervos! Mas escolhi esse nick para prestar homenagem a essa grande actriz e personagem Miranda Hobbes de quem eu tenho alguns traços sim, apesar de aqui ninguém ter testa para ver que o meu status vai bem para além dum simples cabelo ruivo.

Deve ter sido engano, só pode, porque eu sou definitivamente cosmopolita e carrego comigo este sonho de um dia desembocar numa qualquer grande cidade da Europa! Os States não me atraem, nem sequer se eventualmente o tal de Obama ganhar as eleições em Novembro que eu sei destas coisas muito bem porque como dizem os GF, o Meo chega aqui sem problemas nenhuns e eu tenho net a uma velocidade que estontearia aqui a velharia toda da terra que esses coitados, nunca viram uma auto-estrada em movimento quanto mais uma que anda à velocidade supersónica deste meu rico satélite que me veio salvar de morrer estúpida aqui neste canto escondido e esquecido feito de burros iletrados e vacas analfabetas.

Mas o que me traz aqui hoje, para além de agradecer muitíssimo a oportunidade que a linda dona deste espaço me concedeu, são duas coisas que me inquietam a moleirinha e uma delas é que de facto existem lésbicas no campo sim, porque não é apanágio das gentes da cidade gostarem de ver e de se encostar em mulheres bonitas. Eu gosto, gosto muito até, sempre gostei desde a mais tenra idade. O problema para nosotras é que aqui mulher bonita é coisa que não abunda e como tal lavo mais as vistas com a minha rica televisão digital do que em exemplares de carne e osso. Sempre que posso dou ali um saltinho à vizinha España que nestas matérias de direitos para tod@s está anos-luz à nossa frente, e viva la España! Se à beira de chegar à fronteira a estúpida e vesga da burra não tivesse soçobrado com o peso da minha mãzinha grávida quem sabe não seria eu uma orgulhosa españuelita cheia de salero e sevilhanas aos bordões que eu sou uma fã inconfessável da maravilhosa Papi da série letra L que também cá me chega via satélite e quando não chega sei bem dar uso aos 8 Mbps para me satisfazer a curiosidade em downloads pouco arriscados que ao menos valha-nos isso que polícias e ASAE aqui nem vê-los que fogem todos com o calor e o medo dos incêndios!

E a outra coisa é que em todos os anos que já vivi e sempre soube de mim continuo sem perceber porque raio hão-de os outros continuar a dizer que uma pessoa é lésbica por opção porque eu por opção sou ruiva, agora o resto é mesmo coisa que já nasceu comigo e de que desconfiei logo ali aos 5, 6 anitos quando me senti brutalmente inquietada por uma prof de ginástica bela e escultural que nos foi enviada de Beja e que me obrigava a dar cambalhotas atrás de cambalhotas e eu dava só para a ver sorrir para mim. Foi assim que eu soube, muito antes de saber que existia uma palavra para colar à minha condição com a qual convivo mais ou menos bem, enfim, eu comigo convivo bem, os outros, alguns, é que nem por isso mas também é para isso que com uma enorme alegria irei tentar encontrar aqui um canto, ainda que virtual e minusculito, para partilhar as agruras de ser uma quarentona ruiva e lésbica perdida numa aldeia esquecida onde posso atestar que há sexo q.b. e demasiado campo por aí espalhado, mas também não se pode querer tudo e eu dum modo geral até me encontro satisfeita e esperançada!

Vejo-vos a tod@s no arraial que é já no dia 28 de Junho! Onde houver festa e o comboio chegar eu lá estarei a marcar presença e a reivindicar tudo aquilo a que tod@s temos direito!

O Mês Arco-íris

segunda-feira, junho 9


E já estamos em Junho. O ano já vai a meio. Estamos no mês mais LGBT do ano. E este blog tem andado lento, às vezes, simplesmente parado. Mas a verdade é que a acompanhar a crise económica mundial, também na minha vida todos os indicadores andam no vermelho. Já é oficial este é o meu ano “horribilis”.

A vida não me tem dado descanso, as sovas sucedem-se e parece que o meu nick (Alma Rasgada) volta para me assombrar os dias, perturbar-me o sono, e acima de tudo roubar-me a piada. Tenho tentado escrever, acabo invariavelmente por apagar o que escrevo, falta-lhe humor, falta-lhe espírito, falta-lhe o que faz deste blog o “Lésbica: Simples ou com Gelo”!

Explicada a ausência, com o pedido de desculpas a acompanhar, voltemos ao título do post. Neste mês temos a marcha do orgulho e o arraial a 28, a 14 as jornadas contra a homofobia, e como bónus, a 20 tenho o meu 1º casamento Gay (em Londres claro, aqui seria impossível).

Com todos estes acontecimentos espero melhorar o estado de espírito e voltar a escrever. Que seja um excelente mês para tod@s! Cheio de orgulho, reflexão e festa!

É já amanhã!

quarta-feira, junho 4

17 Maio - Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia

sábado, maio 17

É hoje! Já agora vale a pena:

Consultar o mapa que assinala os Direitos Lgtbi pelo mundo.
Assinar a petição on-line para a criação de um Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia.

 

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