Hello my name is Lizzy i'm a Lesbian

terça-feira, novembro 18

Para se divertirem:

http://www.lizzythelezzy.com/

Definitely better!



Seguindo a sugestão da Sara (ou foi da Rita? :-P) no Trio de Lésbicas, chega uma musiquinha para vos (nos) entreter enquanto congemino o resto da história da Salomé!

Salomé - a encantadora de serpentes - parte I

quinta-feira, novembro 13



Por vezes não me apetece brincar com aquilo que sinto conter a verdade mais profunda do meu ser. Nem sempre é bom achincalhar aquilo que não conhecemos porque um dia o amor toca-nos e nesse dia arrependemo-nos de tudo o que (mal) dissemos e fizemos em seu nome. Menosprezá-lo foi para mim uma forma de me defender contra uma força desconhecida. Mas quando um dia o amor me apareceu eu soube que tinha desperdiçado inúmeras ocasiões de introspecção sobre aquilo que o amor era para mim.

Tive demasiadas amantes na vida, pisei mil vezes o risco de me perder nos seus risos fáceis e orgasmos violentos, e hoje penitencio-me através das histórias que me escorrem da memória, guardo-as aqui como folhas secas que se coleccionam ao longo dos anos até que um dia nos esquecemos porque resolvemos preservar tanta insignificância durante tanto tempo.

Embora Salomé não fosse uma mulher insignificante, muito pelo contrário. Foi o caso mais estranho que tive, a primeira vez que partilhei uma mulher na cama com outro ser animado, mas estou já a salivar e ainda nem comecei a pensar naquilo que vou contar, nem como conseguirei deixar retratado o que Salomé deixou em mim. Esta é uma daquelas folhas que tardou a amadurecer e a secar mas penso que estou finalmente preparada para a deixar voar. Quero chegar ao fim do Inverno limpa e nua, igual ao dia em que nasci, antes de todas as ramificações e folhas que de mim brotaram ao longo da vida.

Abordar a mulher que Salomé era será sempre tarefa ingrata, até porque nunca conheci ninguém assim, em tantas e tantas outras que comigo se cruzaram. A mulher era mais do que uma força da natureza, era uma verdadeira instituição, daquelas que sabemos que já existiam bem antes de aparecermos e que continuarão a existir muito depois de não sermos mais do que nuvens de poeira a esvoaçar pelo meio de terras áridas de gente e de vida.

Não foi ela que veio ter comigo, já conhecia bem as suas histórias de encantamentos muito antes de ter tido a oportunidade de a ir procurar. Era uma lenda, um daqueles seres míticos de que ouvimos falar na infância e juventude e sobre a qual tecemos inúmeras considerações e criamos múltiplas fantasias. Salomé era a mulher do Prazer, com P grande, aquela sobre a qual todas falavam e que todos os homens temiam. Segundo a própria nunca tinha tido homem nenhum e isso era motivo de orgulho extremo. Dizia-se filha da terra mãe, gerada por partenogénese no seio duma virgem juvenil que nunca soube porque passados meses dum sonho violento e sanguíneo deu à luz uma menina de tez escura, de olhos tão negros e profundos. Se fosse crente, teria achado que a menina era seguramente filha do demo, mas felizmente para todas nós, a mãe de Salomé tomou o feito como uma dádiva da terra fértil que a rodeava, e tratou sempre a menina com deferência.

Idolatrava-a como se de uma deusa se tratasse, o seu quarto era um santuário, e um local de veneração profunda onde a sua mãe, livre do jugo masculino de um marido que nunca teve, se lhe dedicava em exclusivo. Oferecia-lhe o que de melhor tinha, desde histórias fascinantes sobre mulheres poderosas que viviam e governavam em mundos antigos a canções sobre tudo o que já se tinha passado e o poder dum futuro que ainda estava para vir. A mãe de Salomé não tinha dúvidas que a sua filha teria um grande impacto no seu tempo e na história de toda uma sociedade predominantemente dominada pelos abrutalhados machos da sua espécie. Ela sonhava com uma sociedade desprovida da raiva, agressividade e territorialidade tão presentes naqueles que se engalfinhavam uns com os outros a troco de um punhado de terra, de mulheres ou de filhos. Se ao menos a sua filha aperfeiçoasse a arte de génese espontânea, tal como lhe tinha ocorrido a si infelizmente sem que soubesse como o tinha feito nem como repeti-lo.

Não acreditava em nenhuma espécie de equilíbrio natural que adviesse da junção de machos com fêmeas porque os machos queriam sempre ser dominantes e nunca aceitariam uma mulher que se lhes sobrepusesse em todos os campos. Mais do que isso, ela seria uma mulher que dispensaria da presença masculina de todo! E talvez fosse o que a sociedade precisava depois de tantos séculos de penalização da mulher pela igreja e pelos homens. Como era possível que lhes traçassem (travassem!) o destino invocando a sua culpa exclusiva pelo pecado original? E como era possível terem conseguido enganar tantos milhões de almas durante tanto tempo, tantos homens que usavam e abusavam do complexo de culpa milenar das suas mulheres e tantas mulheres que se lhes subjugavam com medo... de quê??

Foi importante para Salomé que a sua mãe cuidadosamente lhe fosse retirando as finas escamas de culpa que se lhe colavam ao espírito como a todas as outras mulheres do seu (e do nosso) tempo. Assim a menina cresceu forte e destemida, com uma vontade e um desejo inabalável de ser tudo aquilo que pretendia e de viver conforme lhe desse mais prazer. Talvez fosse o seu olhar directo que incomodava os homens que se tentavam aproximar dela. Não se subjugava, não se submetia, não aceitava que não a tratassem como igual, aliás como ser superior que sentia que era. Era mais inteligente, mais astuta, mais brilhante e genial do que qualquer outra pessoa que conhecia. E era bela... de uma beleza rara, pura, imaculada, muitíssimo atraente e sensual.

Ninguém sabia bem o que Salomé fazia, dizia-se que usava os seus poderes de comunicação com os animais para adivinhar a sorte a quem a procurava, e como não eram raras as vezes em que acertava, as pessoas deixavam-lhe tudo o que tinham, casas, terras, fortunas que Salomé distribuía às gentes que viviam em bairros pobres e degradados. Nunca se tinha conhecido uma mulher tão generosa, tinha uma legião de admiradores que muito desagradava aos padres dos lugares por onde passava. Reza a história que um dia um padre a impediu de entrar na sua aldeia porque acreditava que ela era uma bruxa e não a queria perto do seu "rebanho". Ao que ela retorquiu que as bruxas não existiam, que eram uma invenção da igreja para acabar com as mulheres incómodas. E que não percebia porque é que a igreja se intrometia entre si e os que necessitavam da sua ajuda. E quem era que tinha nomeado a igreja retalhista da generosidade e bondade humanas? "Foi Deus..." lá balbuciou o padre, estupefacto com a argumentação da rapariga. "E quem é Deus? Onde está Ele? Já O viu? Já Lhe falou? Como sabe que Ele não me quer aqui?"... ao que o senhor já demasiado atrapalhado se afastou para a deixar passar, pouco habituado que estava a que questionassem as normas da sua igreja.

Com o passar do tempo alguns aventuraram-se a tentar chegar mais perto de Salomé, por vezes usando modos que a ela lhe pareciam demasiado grotescos, agarravam-na, queriam tocá-la e cheirá-la, alguns tentavam beijá-la. A todos ela tratava com uma enervante frieza que desarmava mesmo os mais fervorosos pretendentes. Não havia nada em si que a atraísse a tal espécie, nada lhe agradava nos seres humanos que a rodeavam. Cheiravam mal, não se cuidavam minimamente. Nem sequer conseguiam manter um discurso coerente, rapidamente davam mostras de falhas de raciocínio imperdoáveis. Salomé começava a convencer-se que seria um ser assexuado, indiferente que se sentia a qualquer ser de qualquer sexo. Até que um dia A encontrou, essa que foi a sua primeira (e há quem diga única) paixão. Isilda era uma mulher frágil que tinha padecido de um rol infindável de doenças desde a sua mais tenra infância. Via-se que podia ter sido uma mulher muito bela, mas tanto sofrimento tinha-a feito encolher ligeiramente. Era tão pálida que parecia quase transparente e eram raras as pessoas que se aproximavam por acharem que ela não seria seguramente deste mundo. Parecia um ser lunar, algo entre este mundo e outro qualquer desconhecido e assustador. A clareira que se formava sempre ao seu redor intrigou Salomé que quis conhecer aquela mulher quase translúcida de onde emanava uma aura muito intensa de cor violeta. Percebeu mesmo sem falar com Isilda que ela tinha muito para lhe transmitir e não mais a largou.

Isilda podia parecer fora deste mundo mas uma vez ultrapassada a barreira que a separava do mundo era uma mulher extraordinariamente fogosa. A fragilidade transformava-se em sensibilidade que dava lugar a uma quente sensualidade. A sua pele azulada alaranjava-se com a presença tão física e tão forte de Salomé. O beijo que as uniu foi fatal. Salomé percebeu que afinal era um ser sexual. E Isilda percebeu que tinha acabado de se apaixonar tão perdidamente que doravante seria a sombra de Salomé. Para onde uma fosse a outra seguiria. Salomé passou a ter 2 pares de olhos, 4 braços e 4 mãos estendidas na direcção dos mais carenciados.

E à noite na cama... digo eu que nunca as vi juntas sequer... à noite na cama dormiam tão juntas que uma não se distinguia da outra. A cor da pele de Isilda mudava de tom, feito camaleão e eram as duas uma massa só, uma só respiração, um só bater de coração. Nunca se vira uma relação assim em lado nenhum. Salomé adorava aquela mulher, amava-a tremendamente e tentava ser de tudo um pouco na relação, amiga, irmã, mãe e amante. Ia colmatando em Isilda todas as emoções que sentia que a mulher nunca tinha experimentado. Dava-lhe tudo... e daria a sua própria vida por ela mas infelizmente todos os cuidados que Salomé tinha com Isilda não foram suficientes para a tornar diferente do amalgamado de doenças em que ela se tinha convertido.

Um dia, numa noite fria de Inverno, Isilda não mudou de cor ao instalar-se na cama ao lado de Salomé. A sua tez azulada manteve-se assim como a sua respiração fraca e entrecortada de pequenos soluços. Os vários animais que seguiam Salomé para toda a parte transmitiam-lhe que o fim de Isilda estava próximo mas ela não os queria nem ouvir! Mas Isilda faleceu nos seus braços nessa noite e Salomé percebeu que afinal o seu poder não era ilimitado. Foi a maior decepção da sua vida, e abriu nela uma fenda tão profunda que nunca mais foi a mesma. Deixou entrar nela sentimentos que a sua mãe tanto se tinha esforçado por afastar, a raiva, a culpa, a amargura, o desespero. Pela primeira vez na vida chorou, chorou tanto que teve medo de se esvaziar de todos os sentimentos que um dia tinha nutrido por Isilda. Mas o tempo, esse tempo que dizem tudo curar, ajudou-a a enfrentar uma vida sem Isilda.

No entanto, nas noites frias de Inverno, e depois nas quentes de Verão também, passou a não suportar a solidão da sua cama vazia e desde o momento em que deixou de chorar Isilda passou a seleccionar companheiras que a fizessem lembrar de Isilda e que lhe aquecessem o corpo como Isilda fazia. Foi nessa altura que a lenda de Salomé enquanto amante insaciável começou a circular e chegou aos meus ouvidos. Diziam que nunca tinha querido um homem, não sabia o que fazer deles, nem com eles. Acreditava que se um dia tivesse que ser mãe o seu corpo se encarregaria dessa tarefa, sem precisar de parte alguma doutro ser humano. As mulheres que consumia eram apenas um ligeiro consolo à dor que ainda sentia pela morte de Isilda, e pela sua impotência perante tamanha transição. Ainda assim todas as que com ela se deitaram passavam a adorá-la ainda mais do que antes. Metade ou um terço de Salomé ainda era dose suficiente para as inflamar de um desejo e de uma paixão tal que nunca mais a esqueciam.

(A continuar, assim que me recompuser desta já de si longa missiva!)

One step forward, two steps back

quinta-feira, novembro 6



Parecia-me uma aberração, mas não... afinal há homossexuais conservadores, arrisco quase a dizer que de extrema direita, que são contra a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tentando descortinar os argumentos, chegamos à ínfima resposta... "Porque sim! Porque o casamento é só entre um homem e uma mulher, foi assim que ficou destinado desde sempre!" (por quem? Por Deus?...) E "porque as relações heterossexuais são diferentes das homossexuais" (certo, também concordo com isso, mas não se nesse "diferentes" está subentendido um "inferiores"...) logo não podem ser tratadas da mesma forma.

Vale a pena argumentar? Confesso que fiquei um pouco abismada com a falta de abertura da criatura. E com o namorado ali ao lado a olhar para ele com cara de desconfiado. Não me parece que o assunto seja consensual entre ambos, mas enfim... eles saberão deles e nós por cá continuamos, não sei se deva aceitar uma união civil com os mesmos direitos, cheira-me que isso é aceitar que a minha relação é de facto inferior às relações entre heterossexuais. E como pelos vistos nem sequer é consensual no seio da própria comunidade, se calhar era melhor comer e calar. Será melhor termos uma união civil registada do que nada? É parvoíce ou estupidez continuarmos a lutar por um direito que muitos homossexuais nem sequer acham que devíamos ter?

Para mim a coisa é clara como a água, sempre foi desde que me conheço. Infelizmente vivemos numa sociedade heteronormativa, remar contra a maré cansa... e eu só quero é chegar a casa um dia e pegar na minha namorada e fazer dela minha mulher. Agora se nos "casamos" ou nos "unimos civilmente"... são só expressões, ou não é?

Let's go party!!

quinta-feira, outubro 30



E porque "enquanto o pau vai e vem folgam as costas" (lembrei-me agora do provérbio ao olhar ali para a menina do anúncio! :-P) porque não irmos arejar mentes e corpos neste novo espaço que vai abrir em Cascais amanhã?

Stop the press!!!

quinta-feira, outubro 23




O sucessor do líder populista Joerg Haider, Stefan Petzner, chocou a conservadora Áustria ao afirmar que mantinha uma relação amorosa com o falecido líder do BZOe, que morreu no dia 11 de Outubro num desastre de automóvel. Numa entrevista radiofónica, o novo líder, de 27 anos, confessou que Haider era "o homem da sua vida".


Quantos mais casos como este serão precisos para o mundo entender que os maiores homofóbicos são também os maiores homossexuais reprimidos da história? São aqueles que não se aceitam como são, que se castigam e martirizam por serem como são e ao fazê-lo estendem os castigos aos outros, sobretudo àqueles que vivem melhor com a sua homossexualidade. Odeiam-se tanto que destilam ódio por tudo o que mexe e é aparentemente feliz!

Depois têm estes finais trágicos (mas nem sempre) e depois o mundo fica “chocado” quando se apercebe que afinal às virtudes públicas se somam (muitos e muitos) vícios privados. É uma tristeza! E deveria ser uma lição para todos os que acham que podem esconder uma vida dupla se publicamente se afastarem o suficiente daquilo que no fundo até são e até gostam! Cambada de hipócritas e cobardes!!

E por cá quem é que vocês acham que tem esqueletos no armário? Quem resistiria a escrutínios sobre a sua intimidade? José Sócrates? Marcelo Rebelo Sousa? Paulo Portas? Pedro Santana Lopes? Já para não falar da Sra. Dona Manuela Ferreira Leite....

Nós cá somos ignorados e eles lá votam

quarta-feira, outubro 15



Gostava de ser americana e californiana no próximo dia 4 de Novembro. Gostava de poder votar por um tipo que se diz liberal e apoiante da causa LGBT (pelo menos até ser eleito) e de votar contra uma estúpida proposição que alguém com muito dinheiro (possivelmente alguma igreja daquelas obscuras) inventou para ilegalizar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo que já são legais no estado da Califórnia desde Junho deste ano.

Contrariamente a tudo o que se ouve e diz, que os direitos das minorias não se prestam a referendos, eles lá vão referendar a tal proposição 8 e a coisa tá renhida pelo que não sei o que irão fazer em relação aos casais de pessoas do mesmo sexo que já deram o nó desde Junho até hoje. Provavelmente converterão os casamentos em “uniões civis” ou algo similar mas não igual, e assim se perderá uma batalha que já julgávamos ganha, ainda que num país e num estado bastante longínquos do nosso.

É triste porque deveria haver uma clara evolução, será sempre de (des)esperar que as coisas demorem o seu tempo, mas pelo menos as alterações que se façam que sejam no sentido de dignificar um grupo não negligenciável de pessoas, de lhes facilitar a vida, facilitando-lhes o acesso aos mesmos direitos que a todos os outros.

Espero que um dia este tema vença o resto da sociedade, nem que seja pelo cansaço e pela falta de argumentos, já que a religião não é para aqui chamada e até ver o direito à procriação não é um exclusivo dos heterossexuais.

Nós queremos ter os mesmos direitos, queremos casar com a pessoa que amamos e com quem vivemos e queremos ter o direito de constituir família com a pessoa com quem casamos. Parece simples não é? Se deixarmos a religião fora da equação não percebo porque é que não é simples... porque é que o nosso estado sendo laico e socialista continua a impedir o acesso a direitos tão básicos como o casamento e a constituição duma família a um milhão dos seus cidadãos?

Queres Igualdade de Direitos?

sexta-feira, outubro 10

TOMA!!!

Hoje não é um bom dia para pelo menos 342 pessoas




Da minha sondagem de trazer por casa chego à conclusão que pelo menos 171 pessoas que se assumem como homossexuais gostariam de se casar com as suas caras-metade pelo que em nome de todas essas pessoas e dos seus pares daqui dirijo uma única palavra aos deputados que não tiveram coragem para votar favoravelmente a alteração à lei sobre o casamento civil: "Vergonha!!"

É uma vergonha para todos nós e para o nosso país que centenas de pessoas, senão milhares, continuem a ser excluídos de um direito básico que é um dado adquirido para todos os outros cidadãos, é uma discriminação, é uma forma legal de homofobia, de manter os homossexuais no armário, de lhes dizer que são tolerados desde que continuem bem trancados nas suas casinhas e não incomodem o resto do pessoal.

É uma vergonha que deputados e deputadas eleitos com o voto de todos nós não tenham tido coragem de enfrentar os órgãos partidários e impor-lhes uma visão que todos sabemos ser a sua, porque já deram a cara por uma causa que agora vergonhosamente renegam. Olhem para o chão senhores, porque não acredito que consigam continuar a olhar nos olhos daqueles que juraram defender!

Sondagem de trazer por casa

quarta-feira, outubro 1

Em relação ao debate sobre o casamento dos homossexuais tenho ouvido por aí opiniões contraditórias, algumas inclusive de homossexuais que acham que é uma parvoíce o grupo, ou comunidade LGBT, ou o que queiram chamar-lhe, estar a lutar por um direito que no seu ponto de vista não faz sentido para quem se proclama homossexual. E penso cá para comigo que se este assunto não é consensual nem entre os meus "pares", temo que nunca o será duma forma mais alargada.

Assim peço-vos para votaram nesta sondagem de trazer por casa para aqui neste cantinho percebermos se realmente estamos todos a lutar pelo mesmo ou se nem por isso...

Porque rir é sempre um bom remédio!

segunda-feira, setembro 29

Opá este fim de semana descobri esta peróla e ainda não consegui parar de rir!

YouTubeis e procureis por "Bicha do demónio".
Aqui fica uma piquena amostra:

Ventos de mudança

quinta-feira, setembro 25

Para quem não viu a reportagem da RTP ontem aqui fica o link:



"Certo é que são realidades crescentes, cada vez mais assumidas e incontornáveis."

E parabéns à RTP pela forma aberta e sensível como abordou o assunto das famílias compostas por dois pais ou duas mães.

"I Have a Dream"

segunda-feira, setembro 22



Agora que os ABBA voltaram a estar na moda não posso deixar de sorrir quando torno a ouvir esta música que há trinta anos atrás para mim não passava de uma melodia de sonoridade fácil. Na verdade já não acredito em anjos nem que todos têm uma parte boa dentro de si. Há pessoas muito invejosas, muito mesquinhas, muito ciosas de algo que não é seu e acredito fervorosamente que um dia tudo irá mudar, infelizmente não creio que seja brevemente. Não há vontade política dizem uns, eu acho que será mais porque a classe política portuguesa é extremamente facciosa (salvo raras excepções) e muito machista. Parece que voltámos aos tempos da rainha Vitória que acreditava que o lesbianismo era coisa de ficção e que tolerava os homossexuais desde que não lhe assustassem os cavalos!

Em vez de marcharmos com confiança em direcção a um futuro de liberdade, respeito e tolerância, voltamos atrás. Discute-se, debate-se, fala-se e escreve-se muito sobre a homossexualidade mas ninguém conhece a realidade das histórias de amor que se passam por trás da cortina da normalidade imposta por uma sociedade que se diz tolerante mas que não dá passo nenhum no sentido de o ser. Afinal há quantos anos a discriminação com base na orientação sexual passou a ser condenada pela nossa constituição? E porque é que descriminar um casal com base no sexo de cada um no acesso ao casamento civil não é também condenável, assim como seria descriminar um casal em que um dos elementos tivesse uma cor diferente do outro?

Estou descrente, o meu sonho existe mas não acredito puder vir a concretizá-lo em vida, pelo menos não no nosso país. Eu vivo uma bela história de amor igual à de tantas outras pessoas mas diferente de todas as outras porque é a minha. A minha mulher é minha porque um dia eu encontrei-a e escolhi-a assim como ela me escolheu a mim e demos todos os passos no sentido de nos tornarmos um casal, namorámos, demo-nos a conhecer, amámo-nos louca e apaixonadamente e decidimos finalmente ir viver juntas. Se fosse permitido por lei o próximo passo, lógico para ambas, seria o casamento civil.

Não porque isso mudasse uma vírgula que fosse à nossa única e maravilhosa história de amor. Apenas porque o nosso tempo aqui é finito e nós sabemos que daqui a vinte ou trinta anos outros valores poderão vir interpor-se entre aquilo que hoje estamos a construir a duas. Se eu ficar inválida ou quando morrer, quero que tudo o que é meu seja dela e sei que mesmo que faça um testamento em seu favor isso poderá não ser linear. Ninguém neste mundo quer saber da minha única e maravilhosa história de amor a não ser nós as duas mas um dia que uma de nós falte à outra... e é só nesse sentido que eu queria casar-me com ela, para que perante a sociedade civil ela tivesse um estatuto igual àquele que já tem (e sempre terá) para mim. Ela é a minha mulher, de corpo e alma. É o meu passado, presente e futuro. E mesmo que me digam que eu não devia nem querer saber o que se passará depois de mim, eu preocupo-me por ela e pelo que ela terá que passar um dia sem mim. Há barreiras que o amor não chega para transpor e a morte é uma delas.

Posso continuar a sonhar em ter um casamento de sonho, assim como contínuo a maravilhar-me com contos de fadas, mas isso não chega para acreditar que um dia o nosso país irá evoluir. Ainda assim sei também que as nossas histórias de amor se irão continuar a escrever porque o amor verdadeiro encontra sempre um caminho, mesmo que seja um caminho muito diferente e bastante mais complexo do que o usual. E isso não vai mudar, mesmo que no dia 10 de Outubro continue tudo tal como está.

Chorar sobre leite derramado

quarta-feira, setembro 3



Bem sei que já se passou mais de um mês mas Agosto tem destas coisas e o tempo quente que se faz sentir lá fora não é amigo de quem se refugia nos meandros da leitura e da escrita, muitas vezes para escapar a uma realidade que é demasiado branda para se servir a seja quem for que aqui venha à espera de um tónico, de preferência com gelo. E também sei que há exigências mínimas e é bom que assim se mantenham porque escrever com o intuito de entreter não é para qualquer uma e só as mais corajosas se atrevem a dar esse passo sem saberem o que as espera do outro lado.

No entanto nem sempre se consegue manter um controlo cerrado sobre aquilo que se produz... e muitas vezes somos expostas a más interpretações que arrasam toda uma reputação, muitas vezes ainda antes de nos dispormos a ir mais longe do que aquilo que ambicionamos. E para não massacrar mais as que aqui passam depois de umas férias bem merecidas e espero que bem passadas, passo a exemplificar daquilo que falo de modo menos críptico e mais passional.

Embora seja um facto que não me importa agora, nem me importou nunca, aquilo que pensam sobre mim porque eu não sou mais do que um fugaz nada que se ilumina por brevíssimos momentos e que se irá apagar um dia sem que o mundo lá fora dê por isso. Achar que o que faço ou digo tem relevância seria dar-me demasiada importância e eu sei bem o lugar que ocupo no grande esquema do universo (credo que agora até pareço um desses evangelistas do advento!) E não sou nada disso, apenas gosto de contar histórias para me manter entretida!

Bem dizia a minha avó que não se deve brincar com o fogo porque o fogo queima fazendo-o por vezes com artes e engenhos que não lembraria ao próprio diabo. Fui devassa na minha juventude, e tive daqueles momentos em que nos julgamos donas e senhoras do mundo e de algumas pessoas que nos rodeiam. É tão fácil achar que estamos na crista da onda, quase tão fácil como achar que estamos no mais fundo dos caixotes de lixo da vizinhança e arredores. Uma miúda assumidamente lésbica numa terra onde ainda nem se sabia bem o que isso era... imagine-se! Os homens olhavam para mim com desconfiança e natural curiosidade. As mulheres admiravam-me! Eu que andava por ali a espalhar aos quatro ventos que não precisava de homem nenhum, que estava perfeitamente bem sozinha, que filhos nem vê-los porque só trazem problemas e chatices, um dia... apaixonei-me! Tão profundamente que deixei de me reconhecer nas coisas que lhe dizia, e muito menos nas coisas que lhe dizia que por ela faria! Com Clara desaprendi tudo o que sabia e posso mesmo afirmar que ela mudou a minha vida completamente. É engraçado e talvez até interessante verificar como mudam os nossos percursos de vida após certos encontros que nos marcam indefinidamente. Mas na altura a coisa não se prestava a nenhum tipo de análise concreta e racional. A Clara passou a ser o meu motivo e modo de vida.

Claro que hoje sei o quanto ela se regozijava com isso! Deve dar uma noção de poder enorme saber que se mantém um ser vivo escravizado por todas as suas vontades e caprichos. E o amor torna-nos de facto cegos, e estúpidos. Mas também se assim não fosse quem se atreveria a abrir a sua intimidade por vezes tão cuidadosamente preservada a um perfeito estranho?

Clara estava na aldeia de passagem, numas férias que ela entendeu prolongar quando se apercebeu do efeito que tinha em mim. Calculo que não fosse difícil entender até onde eu pretendia chegar, calculo que ela se apercebesse perfeitamente das subtis mudanças de intensidade no meu olhar quando se acercava dos seus melhores e mais avantajados atributos. Tantas vezes me perdi naqueles decotes intencional e escandalosamente descaídos para provocar. Se dúvidas houvessem, e eu nessa altura já não tinha nenhumas, passaria a saber muito bem qual é a parte do corpo da mulher que acende aqui o meu pequeno foguetão interior. E que par, senhoras, que par! Que se chegue à frente a mulher que nunca olhou para um belo par sem segundas intenções! Ainda hoje tremo só de pensar... na obsessão que se tornou em mim puder abraçar aquele par e cheirar aquele cheiro doce e quente... e tocar naquela pele que é a mais suave e macia que se pode encontrar... e saborear o suor que por vezes ali escorre, mais doce que salgado, mais mel do que fel...

Não era só disso que se tratava o meu súbito interesse por Clara, mas foi por aí que tudo começou. Foi esse o seu atributo que me levou a sonhar com noites infindáveis de paixão e de prazer. Era ao meio dessas montanhas que eu almejava chegar, percorrendo caminhos onde me sonhava destemida pioneira, só as minhas mãos, os meus dedos e a minha língua poderiam sobrevoar e aterrar naqueles picos que adivinhava tesos através dos decotes indecorosos de que Clara abusava. E sempre que a convidava para o proverbial café, todas as tardes quando a avistava no seu passeio diário do meu poiso na oficina onde então trabalhava, ela aceitava com uma acentuada reclinação do regaço que não deixava margem para dúvidas, a fala evaporava-se, e tinha mesmo que me forçar a respirar tentando não perturbar a visão do que ela ali me expunha.

Assim se passaram semanas, ela provocando-me e eu tentando arranjar uma deixa, um motivo, qualquer coisa inteligente que me permitisse chegar mais perto dela e mais longe do que todos os seus outros amantes. Clara tinha um passado pejado de homens, ou pelo menos ela assim o apregoava. E nesses instantes alguém, eu própria, deveria ter concluído que eu seria apenas mais uma estaca nessas outras tantas que ela já enterrara no campo dos amantes passados. Mas na inquietação dos meus verdes anos achei que se ela se desse a provar a uma mulher nunca mais iria querer saber de homem nenhum. E foi por meias palavras, talvez mais por olhares e tocares, que lhe dei a entender que a queria no sentido bíblico pois porque não são só o homem e a mulher que se deitam juntos para se amarem. Duas mulheres também se podem amar assim, atingindo profundidades no prazer que não são equiparáveis a nada mais que exista no mundo das emoções e sensações. E quem não tem conhecimento de causa não pode opinar sobre o que nunca lhe passará pela cabeça, corpo e alma.

Um dia Clara perguntou-me se eu era virgem. Assim sem mais outro assunto entre nós que não o estado do tempo ou os seus afazeres na grande cidade. Ao que eu visivelmente corei porque não sabia como explicar-lhe que era virgem no sentido de nunca me ter deitado com um homem, mas que não me sentia virgem por já ter estado com várias mulheres e já ter conhecido os prazeres do sexo sem condicionantes nem limitações. Provavelmente seria a mulher mais sexualmente activa da aldeia e no entanto muitos me consideravam virgem por nunca ter tido um namorado! Eu respondi-lhe que sim e não sabendo que uma resposta dessas não serve a quem quer chegar ao fundo das questões. Mas naquele momento serviu para me refrescar a alma no seu riso cristalino e contagiante. "Não digas mais nada..." falou a voz da experiência. "Tenho pena porque um dia vai-te fazer falta." Assim! Sem mais! E eu indignada! "Falta porquê?? Ora essa!" E era ela que me vinha dizer que deixar de ser virgem, com um homem, era coisa que me ia importar no futuro! Nesse ponto posso categoricamente afirmar que ela estava redondamente enganada! Nunca me fez falta um homem, em termos sexuais, emocionais, financeiros, racionais ou outros que tais. Felizmente sempre consegui viver a minha vida sem homem algum ao meu lado e isso é algo de que me orgulho particularmente porque sempre me disseram que uma mulher sozinha, ou mesmo acompanhada de outra, nunca chegaria a lado nenhum.

Quase deixei de lhe falar por isso mas hoje acho que ela o disse só para me espicaçar ainda mais. Como se uma mulher precisasse mesmo de um homem, como se um homem fosse aquilo que ela precisava deixando no ar que eu era uma mera distracção casual. E a partir daí eu esforcei-me para lhe mostrar que não acreditava nessa sua mentalização sexista, porque o mundo e a sociedade estavam a mudar, e as mulheres já não precisavam de um homem para as proteger e sustentar. E quanto mais eu tentava mais ela se ria de mim, e mais eu me enredava, prisioneira daquele riso cristalino e daqueles seus atributos que não me deixavam parar de sonhar.

Um dia Clara teve que voltar aos seus afazeres citadinos, mas nem por isso pararam os meus sonhos. Por muitas noitadas que fizesse tentando perder-me noutros corpos e noutros cheiros, não conseguia libertar-me da imagem de Clara, gozando-me, provocando-me, assegurando-me que um dia um homem me viria cravar uma estaca apagando assim o meu fogo e matando aquilo que eu considerava ser a minha essência.

Mas chegou uma carta e não era daquelas cheias de baboseiras que as miúdas doutras aldeias me costumavam enviar. Era uma carta seca, profissional, convocando-me para uma reunião num escritório de advogados na cidade. Só percebi que era dela pela assinatura no fim. Impressionante... e intimidante! Quereria ela apresentar-me a algum fulano dos seus conhecimentos? Quereria ela iniciar-me nesse mundo sexual que ela dizia tão bem conhecer? Fiquei apavorada mas peguei nesse meu lado imprudente e fui!

O meu encontro com Clara a sós... havia meses que sonhava com aquele momento em que podia finalmente senti-la no meus braços. Entregue a mim e submissa. Rendida aos meus encantos e charmes. E não há sempre momentos em que nos sentimos vitoriosos e confiantes? Em que nada pode correr mal porque sabemos e conhecemos as nossas capacidades e sentimo-nos à altura deste mundo e do outro? Eu era assim, a entrar no que efectivamente me parecia um escritório e a olhar para Clara semi-desnuda, sentada numa chaise longue olhando para mim daquela forma lânguida e pré-coital que eu conhecia tão bem. "Mostra-me o que sabes fazer..." e aquilo foi música para os meus ouvidos! Esqueci passado e nervosismo e empenhei-me em mostrar-lhe como eu sabia amar uma mulher. Adorei e reverenciei devidamente os seios generosos que pela primeira vez podia tocar e cheirar e beijar. Eram tal como tinha sonhado mas em mil vezes melhor, porque há uma componente substancial que nem em sonhos conseguimos alcançar. Talvez seja um regresso à tenra infância, a memórias tão longínquas guardadas em bocados fragmentados de nós, que nos leva a querer tanto esse contacto, nesse preciso lugar onde um dia fomos alimentados e embalados por quem nos quis mais do que ninguém.

Ela libertava-se por baixo de mim, sentia-a vulnerável, aberta aos avanços que eu tinha delineado. Não sem antes a beijar pela primeira vez e assim selar aquela paixão que me tinha consumido durante tantos meses. E nela era tudo bom, um verdadeiro festim sensorial!

Sentindo-a favorável, apressei-me para chegar lá onde eu queria e ela facilitou-me o caminho, abrindo as pernas e deixando-me chegar mais perto do seu sexo que já tinha sentido abundantemente humedecido. Estava já no meu auge e sabia que podia levá-la comigo mas de repente... leite! Era leite o que escorria do seu sexo oferecido! Nunca tinha visto nada assim e espero nunca mais nada assim ver! Um líquido espesso e branco... que hoje sei ser proveniente do marido que a agredia e violava quase diariamente!

Perante aquele cenário chorei, e sempre que me lembro de Clara choro novamente. Não consumei o acto, não fui capaz perante tamanha evidência de actos recém passados. Pedi-lhe desculpa, disse-lhe que se quisesse experimentar uma mulher que procurasse outra porque eu não iria conseguir abstrair-me desse leite que escorria entre nós. E assim acabou essa história que tanto me marcou. Muito do que chorei, e do que ainda hoje choro, se remete a esse leite ali tão vilmente derramado!

2º Aniversário - Lesboa Party

quarta-feira, agosto 20


Lá estarei!!!

 

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