Descoberta de última hora!
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Lápis-lazúli
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Tristes exemplos!
sexta-feira, fevereiro 13

(Via caccaocino)
Enquanto na Califórnia os 18000 casais de homossexuais que conseguiram casar antes da passagem da infame Proposition 8 continuam a lutar para que os seus casamentos não sejam dissolvidos, em Portugal continua-se a achincalhar uma luta de uma comunidade que muitas vezes não consegue ser levada a sério.
Continua-se a associar a homossexualidade á bestialidade e à pedofilia, sem o mínimo respeito por aqueles que lutam pelo reconhecimento e pela dignidade das suas relações.
É pena que este senhor ache que os homossexuais são todos suburbanos que trabalham em cabeleireiros. Por isso é tão importante o apelo a que tod@s se assumam, que mostrem quem verdadeiramente são. Professores, médicos, advogados, engenheiros, gestores, actores, e até governantes, os homossexuais que um dia levantarem a sua voz contra este tipo de achincalhamento irão mostrar ao resto da sociedade que afinal já conhecem muitos homossexuais que admiram, respeitam e de quem gostam!
Só espero que este senhor e todos os outros que gozam com a homossexualidade desta forma se arrependam e se envergonhem das barbaridades que um dia pensaram e escreveram sobre aqueles que são também seus amigos, colegas, irmãos e familiares.
Tag Miranda
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Miranda
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Isto sim é grave!
quarta-feira, fevereiro 11

Ok, a Igreja está apenas a cumprir o seu papel, não concordam com o casamento entre homossexuais e vão apelar ao voto contra os partidos que o defendam (nomeadamente o PS).
Agora o que me espanta é que não ouvi nenhum bispo português pronunciar-se sobre a anulação da excomunhão dos bispos que negam que o holocausto existiu. Este assunto causou indignação a nível mundial porque o holocausto não está em causa nem nunca esteve e a Igreja indignou-se com esses horríveis eventos tanto como qualquer outro ser humano se indignaria!
Este papa, afastando-se claramente da humanidade que caracterizava o chefe da Igreja anterior, duma penada resolve anular a excomunhão desses bispos e ponto final. Autocrático, autista, imperdoável!
A Igreja regride... ao apoiar bispos claramente xenóbofos que exprimem as suas opiniões contra tudo o que o resto do mundo pensa. A seguir virão ataques contra mulheres e inevitavelmente contra homossexuais. Não nos esqueçamos que no holocausto não morreram só judeus! Morreram também milhares de homossexuais!
Se no seio da Igreja foram reabilitados bispos que concordam (ignorando) as barbaridades que foram cometidas pelo III Reich, para onde caminham os supostos ilumidados de Deus?... Não auguro nada de bom deste papa "negro" que já conseguiu destruir um legado tão importante e tão arduamente conseguido ao longo dos anos por esse outro saudoso papa "branco". Não sou católica mas gostava de João Paulo II, era um homem sensível, bondoso, cuidadosíssimo em relação a tudo o que fazia e dizia. Agora este Ratz... enfim!!
Tag Miranda
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Miranda
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Mea culpa!
segunda-feira, fevereiro 9

Bem sei que houve um sentimento generalizado de desgosto em relação à reportagem da Sábado porque tentou vender a infidelidade sob um prisma favorável. Era o tal "branqueamento" de que falei no meu texto em baixo. Foi claramente uma manobra para vender e não me pareceu correcta a forma leviana como quiseram dar a conhecer uma realidade que não será assim tão glamourosa nem sensual como foi apresentada.
Mas também não foi correcto o meu post, fui leviana nos insultos que dirigi de forma generalizada e que atingiram pessoas que não os merecem porque já têm sofrimento quanto baste na sua vida. Por cada mulher casada, que se assume como heterossexual e que se envolve com outras mulheres com a conivência do marido, que até sabe, gosta e se excita com isso, haverá muitas mais que sofrem com o peso da culpa e da traição que sentem estar a cometer. Se calhar a revista Sábado devia ter-se focado mais nestas mulheres, que têm problemas de consciência, que sentem estar a fazer algo de errado mas não sabem como dar a volta à sua vida, que gostavam muito de se assumir mas por inúmeras razões sabem que não o podem fazer por tudo aquilo que está em jogo e podem vir a perder.
E o post que escrevi era na realidade um insulto personalizado... o meu texto devia ter rezado assim: "Conheço uma mulher casada, que se assume como heterossexual e com a qual eu me envolvi há uns anos atrás, que é uma cabra. E o marido dela é um parvo dum cornudo que acredita em todas as mentiras que ela lhe diz." E pronto, foi o meu momento "lavagem de roupa suja em público" pleno de insultos dirigidos a uma mulher muito egoísta que um dia quis o "melhor dos dois mundos" sem pensar nas consequências dos seus actos e sem ter a mínima intenção de se responsabilizar por eles. A reportagem da revista Sábado fez-me revisitar o meu passado e despoletou em mim uma raiva que já não sentia há algum tempo.
Mas, e como em tudo há sempre um mas, infelizmente os meus insultos atingiram outras pessoas e a elas eu peço imensa desculpa. A diferença entre essas pessoas e as verdadeiras "cabras" é que elas sentem um enorme peso na consciência, sabem que estão a agir de forma errada e procuram desesperadamente uma saída para uma situação de duplicidade que as torna infelizes. Solidarizo-me com elas, e mais ainda me enerva esta sociedade de hipocrisia que tenta vender a parte boa das relações extraconjugais sem se focar e aprofundar mais a parte má. Há muitas mulheres a sofrer por esse país fora e eu, feito elefante em loja de cristais, ainda as magoei mais... peço mil desculpas a essas mulheres e desejo-lhes muita sorte e coragem para tentarem encontrar o seu caminho.
Tag Miranda
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Miranda
19
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Desculpe, afinal sim...
sexta-feira, fevereiro 6
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Lápis-lazúli
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O branqueamento da traição

Não sei a quem passou pela cabeça escrever um artigo sobre mulheres casadas que têm casos com outras mulheres. Cheira-me que terá sido um homem pela quantidade de fotografias de mulheres a beijarem-se que aparecem nas páginas da revista Sábado desta semana. Será que precisam assim tanto de aumentar as vendas da revista? Será que este assunto merece assim tanto destaque?
Mulheres que se envolvem com outras mulheres sempre existiram, sendo essas situações mais ou menos bem toleradas consoante as morais vigentes da época. Hoje em dia e provavelmente fortemente impulsionadas pela gigantesca indústria de pornografia essas situações tornaram-se corriqueiras, saltaram dos filmes XXX para filmes e telenovelas que passam em horários em que sabemos que as audiências são maioritariamente constituídas por crianças e adolescentes. Estranhamente não vejo a Igreja a insurgir-se contra a quantidade de barbaridades ditas e mostradas em nome da "abertura sexual" na nossa televisão hoje em dia.
Uma coisa é certa. A mim sempre me disseram para não me meter com mulheres casadas e eu sempre achei que eram de carácter moral duvidoso as mulheres casadas que se envolviam com outras mulheres. Esta reportagem serviu para reforçar ainda mais essa minha convicção.
As mulheres que se dizem heterossexuais, casadas (e algumas inclusive afirmam-se de católicas!) que se envolvem sexualmente com outras mulheres são umas cabras. E tentam branquear a infidelidade que cometem com a justificação inverosímil que os maridos até sabem, gostam, querem ver e participar! Os maridos dessas mulheres, esses que sabem, gostam e querem participar, para além de serem cornudos são uns parvos e uns tristes que não percebem que qualquer traição ou infidelidade é uma tremenda falta de respeito! Essas mulheres que os enganam, que lhes mentem e que os convencem que é tudo muito diferente e que só o fazem para os excitar ainda mais são umas cabras manipuladoras que possivelmente só continuam casadas pelo conforto financeiro que lhes advém dessa situação. E nesse caso para além de cabras estão ao nível das prostitutas de vão de escada!
E para além de tudo o resto essas mulheres estão também a prejudicar a luta pelos direitos dos homossexuais, nomeadamente das lésbicas. Elas fazem questão de sublinhar que apesar de gostarem de se envolver sexualmente com outras mulheres, são heterossexuais e não lésbicas. Consideram as relações entre mulheres como algo menor, talvez apenas "para aquecer", e logo não concebem que essas relações possam estar ao nível das relações entre homens e mulheres e nunca lutarão pelo nosso direito de acesso ao casamento civil, provavelmente muito pelo contrário! A sua postura é tremendamente machista, chegando a raiar a homofobia. Mas também mais não seria de esperar de cabras que põem os cornos aos maridos sem qualquer pejo nem sentimento de culpa.
A única nota relevante numa reportagem carregada de lugares comuns e da perpetuação de mitos sobre a sexualidade das mulheres, e admito que seja uma coscuvilhice de baixo nível, foi confirmar as minhas suspeitas que a actriz Alexandra Lencastre será lésbica. Resta saber se é das simples ou das com gelo...
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Miranda
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A importância de Harvey Milk
quarta-feira, fevereiro 4

Fui ver o filme sobre este ilustre político maioritariamente desconhecido entre nós e tão bem representado por Sean Penn que merece sem dúvida o Oscar de melhor actor, não por representar bem o papel de um gay mas por representar duma forma tão convincente o papel de um activista político que assume a sua homossexualidade com uma frontalidade até então desconhecida. Recorde-se que nos anos 70 a homossexualidade nos Estados Unidos ainda era punida com pena de prisão. Não sei (mas confesso que gostaria de saber) o que acontecia aos homossexuais que se assumiam em Portugal antes da revolução de 25 de Abril de 1974. Acredito que seriam presos pela PIDE e provavelmente torturados até "desistirem dessas tendências" ou mesmo até à morte.
Este é o peso histórico que os activistas LGBT carregam nos seus ombros. Estes são os fantasmas do passado que nos fazem recordar que há alguns anos atrás nós não podíamos falar livremente sobre os nossos sentimentos e relações. A humilhação ocupava o lugar do orgulho, o menosprezo o lugar da dignidade.
Nada resume melhor Harvey Milk do que o discurso da esperança que ele proferiu em São Francisco em 1978, pouco antes de ser assassinado. Nada resume melhor Harvey Milk do que a profunda convicção que toda a gente conhece um gay ou uma lésbica, mesmo não sabendo quem são. Podem ser os nossos amigos, os nossos vizinhos, os nossos pais, os nossos filhos, os nossos colegas de trabalho e até os nossos políticos!
Mas os milhares de gays e lésbicas que existem à nossa volta só serão reconhecidos no dia em que eles próprios tiverem a força e a coragem para assumir aquilo que são. O maior grito de guerra de Harvey Milk, para além do grito de esperança que tantas vezes exclamou, foi exortar todos os gays e lésbicas a saírem do "armário", a assumirem aquilo que são sem medo e sem vergonha!
"The blacks did not win their rights by sitting quietly in the back of the bus. They got off! Gay people, we will not win our rights by staying quietly in our closets... We are coming out! We are coming out to fight the lies, the myths, the distortions! We are coming out to tell the truth about gays!" – Harvey Milk
Trad: "Os negros não ganharam os seus direitos mantendo-se sentados na traseira do autocarro. Eles levantaram-se e saíram! Homossexuais, nós não ganharemos os nossos direitos se ficarmos quietos dentro dos nossos armários... nós vamos sair! Nós vamos sair para lutar contra as mentiras, os mitos, as distorções! Nós vamos sair para dizer a verdade sobre gays!"
E é só desta forma, dando os gays e as lésbicas a conhecer ao mundo que os rodeia, que um dia esse mundo irá reconhecer que nós somos iguais aquilo que sempre fomos, porque o mundo já nos conhecia antes de nos assumirmos como gays e lésbicas. E já gostavam de nós antes, e já tinham orgulho em nós antes!
Se há alguma coisa que tenho aprendido nestes últimos tempos, nomeadamente desde que comecei a partilhar experiências através da net, é que o caminho a percorrer até termos os nossos direitos reconhecidos na sua totalidade é muito longo sim, mas há tantos e tantas que já o trilharam antes, e brilharam, e foram bem sucedidos, e foram reconhecidos como melhores do que os seus pares, apesar da sua homossexualidade! Um dia a orientação sexual dum indivíduo será tão indiferente como a cor da sua pele ou o seu género. Esse dia ainda está longe mas eu tenho muita esperança e espero que este cantinho seja um local que transmita esperança a pessoas que por aqui passam em momentos cruciais das suas vidas. Se assim for, se eu souber que transmitimos esperança a pelo menos uma pessoa homossexual que nos leu, já valeu a pena e já sentirei que a nossa luta pelos nossos direitos não irá esmorecer nunca!
Tag Harvey Milk, Miranda
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Miranda
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Nesses casos...
segunda-feira, fevereiro 2
-Ahhhh não, mas para esses casos não.
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Lápis-lazúli
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A importância de Johanna Sigurdardottir
sexta-feira, janeiro 30

Pode ser uma política competentíssima, estou certa que seguramente o será, mas ser lésbica assumida é já motivo de orgulho para tantas mulheres por esse mundo fora e nós não somos excepção. Há por aí quem diga que esse facto não tem importância nenhuma, que ninguém quer saber da vida sexual de ninguém mas considerando que a senhora é uma mulher e lésbica assumida, em muitos países do mundo (Portugal incluído) nunca teria sequer uma hipótese de chegar a membro do parlamento, quanto mais a chefe de governo!
Já sabemos que Portugal tem uma das representações femininas mais baixas da Europa na assembleia. E quanto a homossexuais assumidos? Penso que a representação será mesmo de 0%! Considerando que os homossexuais representam cerca de 10% da população, quem está lá para defender os nossos direitos? Não assumidos dizem as más-línguas que haverá uns poucos (começando pelo Paulo Portas), mas quem será o primeiro a levantar-se e a procurar activamente defender os direitos duma minoria que tem sido humilhada e reprimida ao longo dos séculos?
Em que raio de armário estará o nosso Harvey Milk escondido??
Tag Miranda
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Miranda
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A idade da inocência
quarta-feira, janeiro 28

Após o anúncio já esperado que o casamento homossexual voltará a estar na agenda política do partido que constituirá o próximo governo (há que ter esperança!), sei que iremos voltar ao velho tema da "opção" versus "orientação" sexual e como tal deixo já aqui a minha contribuição.
Tenho pena que os outros não saibam o que é nascer-se assim, quem é homem não sabe o que é ser mulher, quem é mulher não sabe o que é ser homem e quem é heterossexual não sabe o que é ser homossexual. Um dia um rapaz vê uma menina e aquilo mexe com ele e a partir daí identifica-se com a vasta maioria sem mais quês nem porquês.
Um dia uma menina vê outra menina, alunas ainda da primária num tempo longínquo em que o sexo era um tema tabu, e aquilo mexe com ela. Nem dez anos ainda feitos e já sabe que a Teté ilumina os seus dias, tal como o sol num dia quente de verão. Não vê televisão, nem sabe ainda o que isso é, as leituras resumem-se àquilo que os professores mandam ler, sabe por observação que os casais se compõem de um pai e de uma mãe e no entanto ela tem a mente fixada na Teté. Acha os rapazes feios, maus e sujos. Não sabem falar, cospem-lhe para cima e andam sempre aos pontapés e aos murros. Com a Teté é tudo diferente. Ela sorri-lhe duma forma tão carinhosa e ternurenta. Carente de mãe, já falecida, a menina aprecia essa parca bondade que lhe é dispensada e declara Teté a melhor pessoa do mundo, para além da mais bonita e simpática.
Procura o contacto físico com ela, nada parece real até ser tocado e sentido na pele. As mãos que se dão, os olhares que se trocam, os segredos mais íntimos sussurrados ao ouvido, é o começo duma relação diferente de todas as outras, sem nome ainda porque uma criança que nem dez anos tem não consegue definir algo tão complexo como a atracção sexual entre dois seres humanos.
Os dias passam sem pressas, aparentemente todos iguais mas sempre diferentes porque partilhados com a Teté e só quem vive uma tamanha amizade sabe a relevância que os pequenos gestos e olhares podem ter na vida duma criança. Um dia Teté diz-lhe que quer dar-lhe um beijo, parece uma coisa tão banal, afinal todos os dias se beijam quando se encontram e ao final do dia quando se despedem uma da outra. Mas não, o beijo que ela queria não era desses inocentes em que os seus lábios se encostam às suas bochechas redondas e afogueadas. Teté queria beijá-la na boca como já tinha visto adultos fazerem entre si. E esse pedido, esse desejo vindo duma sexualidade prestes a despertar, consumiu-a dias e dias seguidos. Se por um lado ela também queria beijar Teté dessa forma por outro tinha medo de estar a entrar num quarto proibido, até porque os beijos na boca não eram algo usual de se ver naquele tempo. Não sabendo ainda os caminhos que se abririam para si temia o desconhecido. Nem lhe passava pela cabeça que os tormentos seriam iguais se tivesse sido o Pedro a pedir-lhe um beijo em vez da Teté. Era o beijo em si que a inquietava, e não o facto da Teté ser uma menina tal como ela.
Passado uma semana esconderam-se na casa de banho para faltarem à aula de português e fugiram para o recreio quando já os outros meninos se encontravam a conjugar verbos sem saber o impacto que aquele momento teria na vida daquelas duas meninas. Foi ali mesmo, por baixo do parapeito da sala de aula de onde escorregavam pretéritos imperfeitos e mais que perfeitos, que ela e Teté se aninharam e muito ao de leve deixaram as suas bocas tocarem-se durante uns segundos que lhes pareceram uma eternidade. Como é que um simples gesto, um toque tão inocente, marca e define para sempre a vida de duas crianças que se descobrem homossexuais sem saberem ainda as dificuldades e sacrifícios que essa "escolha" lhes irá acarretar ao longo da vida?
Não "escolhemos" ser homossexuais, podemos é escolher não viver essa nossa característica na sua plenitude. Podemos escolher casar para que ninguém desconfie dos olhares lascivos que deitamos às irmãs dos nossos namorados. Podemos escolher ser mães porque temos essa vontade e esse direito. Mas bem lá no fundo e independentemente de quem esteja a dormir connosco na cama, não podemos apagar da memória nem dos sonhos essa tarde fresca de primavera em que demos o nosso primeiro beijo.
Devia ser simples para qualquer outro ser humano compreender que isto não se explica com meros "porque é assim que deve ser". Nós entendemos bem esse "é assim que deve ser", mas isso não ajuda o que sentimos em relação às pessoas com as quais nos cruzamos ao longo da vida. Ninguém sabe porque é homossexual, ninguém consegue explicar racionalmente aquilo que sente. Sei que a Igreja irá tentar pôr a homossexualidade ao mesmo nível da pedofilia e da bestialidade e que isso irá entristecer e humilhar milhares de pessoas que se esforçam todos os dias para serem seres humanos dignos, respeitadores e respeitados no seio da sua comunidade.
As batalhas que ainda nos faltam travar são imensas! Só espero que tod@s tenham capacidade e coragem para enfrentar as tantas barreiras que ainda nos faltam transpor até sermos vistos e tratados como membros plenos das sociedades que nos acolhem. E espero tanto que um dia toda a humanidade compreenda que ninguém "escolhe" ser homossexual, é algo que está tão enraizado em nós que nem ameaças, insultos, ou tratamentos de choque conseguiram erradicar. Não desistam nunca de lutar pela vossa felicidade, pelo vosso direito de viverem uma vida ao lado da pessoa que amam, estou a torcer por tod@s nós!
Tag Miranda
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Miranda
11
Com Gelo
Afinal, lésbica simples ou com... gelo?
sexta-feira, janeiro 16
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Lápis-lazúli
24
Com Gelo
Monte de vampiros!
quarta-feira, janeiro 14

Ah não, o que o cardeal patriarca queria dizer era que as mulheres devem pensar duas vezes antes de casarem com um homem, um qualquer, católico, muçulmano, seja de que raça ou religião for, é sempre um monte de sarilhos! Porque eles bebem, e mentem e enganam-nas com o primeiro rabo de saia que lhes apareça à frente, e depois batem-lhes por motivos tão irrisórios como a frustração pela demora em ser servidos ou a derrota dum qualquer clube de futebol. Era isso que o senhor queria dizer, seguramente… até porque ele não é xenófobo, nem sexista, nem homofóbico, nem nada disso… é um senhor iluminado que só pensa no bem-estar das mulheres como um todo!
Tag Miranda
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Miranda
8
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Considerações em jeito de comentário
sexta-feira, janeiro 2

Depois de um Natal bem quente passado na cama a duas (cheias de febre) mas nem por isso lá muito sensual, hoje já me encontro mais compostinha graças à minha querida mulher que mesmo estando também ela doente tomou conta de mim melhor do que qualquer mãe ou enfermeira!
Em relação à polémica que despertou o texto que publiquei nas vésperas de Natal, sobre se devia ou não misturar sexo com a noite santa aproveito para esclarecer que de algum modo entendi os comentários da Teresa como sendo pouco simpáticos, pelo contrário. Ela expressou o seu ponto de vista, está no direito de o fazer e eu por aceitar comentários aos textos que publico tenho o dever de os considerar.
Uma pessoa que escreve num sítio público sujeita-se a críticas, é normal, é saudável, para mim é até positivo especialmente porque temas como o erotismo lésbico não são algo que debato frequentemente com os meus conhecimentos, maioritariamente porque à partida não gosto de chocar as pessoas, prefiro passar despercebida e como tal aqui pareceu-me um bom sítio por onde destilar uma parte de mim que me é importante. Os comentários positivos ajudam-me a sentir-me parte de algo que é maior do que eu, chamemos-lhe uma comunidade, embora a homossexualidade por si só não seja garante de nenhum outro tipo de compatibilidade entre as pessoas, neste caso entre mulheres.
Os comentários menos positivos, desde que sejam formulados duma forma simpática, como eu achei que fez a Teresa, obrigam-me a reflectir sobre as razões porque decido falar ou ser duma certa forma e neste caso em específico fizeram-me pensar sobre os motivos porque um dia resolvi que não era compatível para mim ser lésbica e católica.
Em parte tem a ver com o sexo também. A Igreja católica aprova e até incentiva uma forma de relação sexual, entre um homem e uma mulher com o fim único da procriação. É legítimo que o faça, eu própria considero que esse acto tem o seu quê de divino pois nesse momento de concepção de uma nova vida ambos, homem e mulher, se poderão sentir mais perto de Deus. Não quer dizer que aconteça, há sexo e sexo e há muitas crianças infelizmente concebidas de forma indesejada. Mas a natureza criativa presente no acto sexual entre um homem e uma mulher está sempre lá e é uma força muito potente, isso não se pode negar. Mesmo em relação à concepção de Jesus, e mesmo que aceitemos que a Virgem Maria tenha sido fecundada por um espírito, em vez de um qualquer homem, essa força criativa estava lá, presente nesse momento em que uma nova vida foi concebida. O acto do nascimento de Jesus não pode estar arredado desse acto que foi o da sua concepção, e como tal acho que encontrei alguma legitimidade em misturar o sexo com a noite de Natal.
Mas uma vez que a Igreja condena qualquer outro tipo de relacionamento sexual, eu não poderia manter-me católica porque isso seria achar que o tipo de relacionamento sexual que pratico é menor do que o relacionamento sexual entre um homem e uma mulher, porque é estéril, não contém potencial criativo. Ora eu não acho isso, para mim qualquer tipo de relacionamento sexual entre duas pessoas que se amam é muito válido, valioso até porque o ser humano se complementa e completa através do amor que sente por outra pessoa. A nossa forma de amar é diferente, sem dúvida, mas recuso-me a aceitar que seja menos válida ou menor! Aliás vou mais além e recuso-me a reconhecer autoridade moral aos padres para falarem sobre algo que desconhecem por completo. Nenhum homem, por mais espiritualmente iluminado que seja, pode falar sobre o que é o amor entre duas mulheres. Nunca saberá do que fala, não tem nem ideia do potencial afectivo, emocional e energético que existe, que se partilha, que se dá, que se recebe mesmo não estando ali presente a força criativa!
Mesmo assim não sou descrente, acredito numa força superior e incompreensível, algo que por vezes apenas pressentimos, uma energia infinita da qual todos comungamos um pouco. Poderia chamar a isso deus, embora não o conceba de todo como o Deus machista, implacável e castigador dos católicos. Aos olhos da Igreja eu sofro de um duplo estigma, por ser mulher e por ser lésbica. Não me esforcei nem me esforçarei por pertencer a algo cujos princípios morais me rebaixam e arrasam, nem carregarei o fardo de culpa milenar que o clero atira sobre os ombros de todas as mulheres desde que Eva supostamente seduziu Adão e o levou a com ela consumar o pecado original.
Agradeço a todos os comentários, mesmo aqueles que me fizeram pensar em tudo o que aqui tentei transmitir, e quero deixar um agradecimento especial à Alice, que mais uma vez me cumprimentou pelo uso dum português "cuidado". É verdade que naquilo que escrevo procuro a busca duma certa perfeição poética (mais do que gramatical) em jeito de homenagem à minha língua materna, que adoro e venero duma forma quase surreal. A linguagem escrita é para mim o único instrumento que tenho para exprimir tudo aquilo que sinto. Escrever é a minha única arte, esgrimir as palavras, atirá-las ao ar e escolher as que melhor cabem nas minhas construções é tanto um passatempo como uma obra do destino. E quem escreve por gosto não cansa.
Desejo a todas um excelente ano de 2009, cheio de saúde e amor. E inspiração também, especialmente às outras autoras deste blog, que se inspirem e que venham aqui partilhar as suas experiências para que neste ano que agora começa este blog volte a ganhar vida!
Tag Miranda
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Miranda
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As Doze Badaladas
quarta-feira, dezembro 31
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Lápis-lazúli
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Conto de Natal lésbico – versão angélica
quarta-feira, dezembro 24

Nestes dias frios sabe bem voltarmo-nos para dentro e recordarmos memórias quentes e doces de outros tempos. Apesar de ser verdade que não há nada como viver o momento presente, por vezes são também essas memórias que nos ajudam a apreciar ainda melhor aquilo que temos. Posto isto e desejando a tod@s um excelente Natal, aqui vai mais uma memória desenterrada do meu baú para vossa apreciação.
Terão passado mais de trinta anos sobre aquilo que agora conto, talvez a história não tivesse sido assim, mas quando a embrulhei quis preservá-la com toda a inocência dos meus verdes anos. Não foi a minha primeira experiência sexual com uma mulher, mas terá sido das primeiras, naquelas alturas em que tudo era ainda praticamente desconhecido, e fascinante também pelo muito que se imaginava e adivinhava por trás de meninas de caras de anjo com cheiro a terra molhada e a pinheiros bravos. Seríamos todas um pouco selvagens, naquele tempo não havia quem nos controlasse como hoje. Ninguém nos perguntava o que fazíamos nem com quem, desde que as tarefas diárias aparecessem cumpridas.
Com dezasseis anos eu era já uma mulher feita, carregando o fardo mensal que me tornava fértil, apesar de me sentir dona dum útero morto à partida, mero ponto de passagem dos meus óvulos virgens de semente de homem que eu não queria nem desejava em mim. O prazer sexual já o tinha descoberto, e os meus sonhos e fantasias encontravam-se povoados de belas ninfas louras, angélicas e sensuais que me cobriam de carícias e beijos e me faziam acordar num estado pré-orgásmico difícil de justificar.
A aldeia vivia no frenesim habitual da época festiva. Todas as famílias se preparavam para a festa familiar que se avizinhava e a minha não era excepção. O meu pai andava fora, em busca de trabalhos sazonais, e as minhas avós afadigavam-se na preparação dos animais para a matança e posterior comezaina. Alheia ao que se passava à minha volta eu e Joana preparávamos a nossa fuga de casa. Joana era a minha paixão no momento, aquela que eu mais amava desde sempre. Era mais velha do que eu mas era eu que liderava os nossos jogos passionais. Ainda hoje penso como é possível uma menina, quase ainda criança, saber tanto como eu já sabia sobre a anatomia feminina e sobre as melhores maneiras de proporcionar e obter prazer duma mulher. Talvez eu tivesse mesmo nascido com o diabo no corpo, muito curiosa sem dúvida, e diferente, bastante diferente de tudo o que eu conhecia naquela aldeia perdida nos confins do mundo civilizado.
Se é verdade que algumas de nós se reconhecem pelo mero olhar, eu possuo essa característica e assim que vi Joana soube que ela era como eu. Talvez seja pela profundidade, pelos segundos extra que deixamos que os nossos olhares se passeiem pelo corpo que se nos oferece com plena aprovação e consentimento da dona duma pele tão apetitosa que nos dá vontade de tocar e acariciar. Assim Joana olhou para mim e eu para ela e desde esse dia decidimos que o presente de Natal uma da outra seria um orgasmo a dobrar. Serão coisas de juventude inconsciente mas nessa altura uma noite com Joana era o melhor presente que me poderiam dar.
Hoje não me recordo se Joana era loura ou morena, mas sei que tinha uns olhos de um azul escuro, quase violeta. Gosto de imaginá-la loura, usando uma paleta de cores muito minha, pinto-lhe umas bochechas de tons rosados, desenho-lhe um nariz pequeno e empinado e uma boca não demasiado grande com uns lábios carnudos e muito sensuais, seguindo-se-lhe um corpo perfeito de ninfeta com pequenos seios redondos e macios como duas meias maçãs, como se tivesse saído dum qualquer conto de fadas pronta para ser apreciada por quem a esperava com uma gula desmesurada própria da idade da eclosão dos sentidos. O que eu suei por ela, de cada vez que a sentia perto de mim, a olhar para mim, querendo-me como eu a ela, da mesma forma, escorregando as duas para sonhos carregados de erotismo e prazer numa idade em que quase nos masturbávamos com o olhar.
Foi ela que quis esperar pela noite de Natal, dizia que nessa noite ninguém nos viria procurar, ninguém se daria a esse trabalho sabendo que não vale a pena procurar quem não deseja ser encontrado. A noite de festa faz-se de quem quer ali estar e não dos que fogem procurando algo que ninguém ali lhes pode dar. E o que eu queria só estava ao alcance de Joana, da minha ninfeta de olhos violeta e pele clara e macia.
Aproveitamos a saída dos adultos para a missa e fugimos para o esconderijo que tínhamos previamente preparado. Eu tinha encontrado uma braseira no sotão de casa de uma das minhas avós e Joana tinha levado cobertores que espalhamos no chão do quarto dos seus irmãos mais velhos que já não moravam ali. A cama era velha mas o colchão sempre providenciava mais conforto do que o chão de madeira velha pelo que arrastámos o colchão até perto da braseira para nos mantermos quentes enquanto durasse a nossa entrega mútua de presentes. Joana tinha conseguido roubar uma garrafa de cidra a um dos seus tios e começamos por brindar a nós, ao nosso primeiro Natal juntas, e àquilo que seria a nossa primeira noite de amor. Eu já tinha alguma experiência, a Joana não, por isso fui eu que lhe tirei o copo da mão e suavemente a empurrei de encontro ao colchão onde nos tínhamos sentado. Sentindo os seus olhos sorridentes em mim aproximei-me e comecei a desapertar-lhe os botões da camisa, inebriando-me com o seu cheiro quente e doce à medida que aproximava a minha cara dos seus pequenos seios redondos e perfeitos.
Há momentos que queremos preservar igual, parar o tempo, sentir o mesmo durante muito mais do que aqueles breves segundos em que a minha boca tocou na pele macia dos seios de Joana e alguma coisa se iluminou dentro de mim. Senti o calor a espalhar-se da minha língua para a minha boca, descendo pelos meus seios até atingir em pleno o meu sexo quente e molhado. Despi Joana por completo para finalmente conseguir contemplar o seu corpo ali deitado em oferta merecida e conquistada por mim.
É sempre difícil para quem ama o belo expressar por palavras aquilo que é amar uma mulher, como descrever o seu cheiro, a suavidade da sua pele, a doçura do seu sabor, a cor maravilhosa das auréolas dos seus seios, daquilo que se esconde para lá da penugem do seu sexo... deveria pintá-la em vez de escrevê-la, e mesmo assim nunca lhe faria justiça!
Não queria atemorizá-la, sabia que ela nunca tinha sido tocada, prossegui da forma mais gentil que consegui, acariciando-a e beijando-a à medida que a minha boca descia pela pele macia da sua barriga. Aqueles eram os primeiros caminhos do prazer no corpo de Joana, traçados por mim que a amava mais do que a própria vida! Tinha que ser tudo memorável, uma experiência única que jamais seria esquecida por ambas!
Joana não teve medo e entregou-se totalmente a mim, abrindo as pernas e deixando-me escorregar até chegar bem perto do seu sexo. Olhei-a e vi o assentimento pleno que me convidava a avançar por isso o fiz, milimetricamente, célula a célula, até passar a barreira da penugem, atravessando-a primeiro com os dedos e depois com a língua. Fechei os olhos para sentir e saborear mais intensamente aquele momento tão bom. Joana sabia a... uma mistura de... maçãs com compota de framboesas... mas com um cheiro intenso a flores... jasmins... orquídeas... algo de indescritivelmente bom! Eu sentia que ela estava a gostar do prazer assim proporcionado, pela forma como o seu corpo se mexia e o seu sexo se levantava de encontro à minha boca expectante e desejosa de saborear mais ainda. E eu era a primeira a provar o sabor de Joana e saber que nunca ninguém tinha chegado ali servia como combustível para a minha já de si intensa excitação!
A minha língua continuava a dançar à volta do interior do sexo de Joana, passeando-se pelas bordas, sorvendo aquele sabor intenso e perfumado, tão doce... até que ouvi Joana a gemer, senti o seu corpo tremer e de repente a minha recompensa chegou na forma de um líquido espesso e abundante, transparente e tão doce como o mel. Inundou-me a boca, o queixo, o pescoço, transbordou-me até aos seios, fiquei coberta do néctar puro e doce da virgem que se tinha deixado possuir e deixei que os meus poros absorvessem a santidade dele e do momento! Inebriada que me encontrava pelo cheiro do sexo de Joana nem me apercebi que ela já se tinha apoderado do meu e vigorosamente me arrancava das entranhas um inesperado orgasmo poderoso e profundo! Assim as duas baptizadas uma pela seiva da outra nos enrolamos nos cobertores a beber cidra e a rirmos daquilo que tínhamos feito e que nos tínhamos dado nessa noite de Natal.
E é isso que vos quero desejar a tod@s, que passem uma noite de Natal bem quente e sensual ao lado de quem mais amam, com muito carinho, amor e paixão!
Tag Miranda
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Miranda
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Com Gelo




