
Apesar da brilhante argumentação (ide ver o que escreve a Fernanda Câncio no DN – via Rita Cacao), e de muitos acharem que sim, que temos toda a razão e que devíamos ter todos os direitos, quer a coisa se chame casamento ou outra coisa qualquer, depois temos uma larga facção da sociedade a quem este tema do casamento entre homossexuais já chateia. Porque dizem que se deveriam estar a discutir outros assuntos (não invalida que se discutam na mesma), porque acham que é uma manobra política de diversão e deixa cá entretermo-nos todos com discussões "fracturantes" e "filosóficas" até termos assuntos mais mediáticos.
Mas a culpa de tudo isto não é nossa, que eu saiba ninguém pediu a jornais, televisões, revistas, blogs e tudo por aí fora para dedicarem o seu tempo a escreverem a favor ou contra o casamento entre homossexuais. Por mim nem havia discussão, a lei passava, eu casava-me e ponto. Como em todos os temas éticos e sociais sobre o qual a Igreja tem uma posição imutável, esta questão nunca irá ser pacífica na sociedade até daqui a umas quantas gerações (como não foram certamente pacificas as alterações legislativas que atribuíram direitos às mulheres e às pessoas de raça negra, como refere e bem a Rita Cacao). E como a sociedade adora uma boa disputa, melhor ainda se houver humilhados e feridos, acho que já nem importa de que lado, cá vai de alimentar os ódios de estimação e dar tempo de antena a quem de outra forma nunca o teria.
Interessa-me alguma coisa aquilo que um qualquer burgesso que nem ler ou escrever sabe pensa sobre o facto de eu me querer casar com a mulher que eu amo? Interessa-me que ele ache que todos os homens homossexuais andam por aí disfarçados de mulheres e que todas as mulheres lésbicas se pareçam com camiões de 8 rodados e já agora com bigode e barba farfalhuda? Não, nada, zero!!
É uma questão de direitos fundamentais, nós somos uma minoria que nunca será aceite como igual pela facção conservadora da sociedade (que provavelmente ainda hoje não digere bem a igualdade de direitos entre homens e mulheres, entre brancos e pessoas de raça negra), e sendo Portugal um país laico, onde existe uma clara e intencional separação entre estado e Igreja, não devia sequer estar a haver discussão de espécie alguma!