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The Chart!

segunda-feira, fevereiro 4


No bar de sempre em conversa com uma grande amiga:

-Aquela que me disseste que me conhecia é aquela que está ali.
-Está, onde?
-Aquela! E é claro que me conhece! Vem cá há anos...
- A outra é a ex da minha ex!
-A sério? Não vais acreditar, estivemos no outro dia a comer uma tosta com a ex dela!
-Qual, aquela pequenina?
-Sim, essa que apareceu com aquela tal...

No bairro há uns dias encontrei uma amiga que não via há algum tempo:

-Andas fresca, andas!!!
-Eu, porquê?
- Bem te vi a meteres-te com a X..
-Pois é natural, estava com ela, há já algum tempo.
-Não sabia que a conhecias! Ela aparecia muito onde eu trabalhei com a Y.
-Eu também, não te lembras? Ela também não sabia que eu saia muito contigo naquela altura, com a A, a B e a C...
-Eu só me lembro é da Z que ia com ela..
-Pois, a que andou com a W, bem gira!
-Epa, este mundo é um penico!
-Eu bem te vi a cumprimentares a malta no outro dia; conheces meio mundo!
-Só queria conhecer alguém de quem eu não conhecesse a vida amorosa toda sem nem sequer saber o nome!!!

Ninguém leva a mal!!

Finalmente acabaram-se as festas! Podemos tod@s voltar a ser aquilo que somos o ano todo, sem desculpas de reflexões e balanços, de caridade ou arrependimentos.
Só falta mesmo o Carnaval. E o carnaval é isso mesmo! Não estou a falar de disfarces, que esses, de uma maneira ou de outra, ningúem se livra de usar no dia-a-dia, nem que seja só de vez em quando. É que no carnaval ninguém leva a mal. Devo dizer que é mais uma festa que não mexe muito comigo mas de todas é a que desgosto menos. Quem quer entra, quem não quer não entra, mas faça-se o que se fizer... ninguém leva a mal! Só dura três dias, não chateia, não tem carácter reflexivo-moralista a que somos todos obrigados desde Novembro até mais ou menos dia 6 de Janeiro, quando tudo parece ter que voltar ao normal. O carnaval é o grito " já chega!". Vamos lá experimentar três dias em que não queremos nem saber, tipo verão, sem biquinis nem sol ( pelo menos na nossa terra). É só porque apetece!
É pena não conseguirmos praticar o espírito do carnaval por mais tempo... É dificil viver o momento só porque ele existe. É pena não conseguirmos fazer coisas perfeitamente ridículas sempre que apetece... E não tem que apetecer sempre!
PS: Exemplo de coisa rídicula - pôr esta foto a ilustrar este texto... mas apeteceu-me!

Posso chatear só mais um bocadinho?!!

quinta-feira, novembro 29




Há quem publicite garrafitas de cerveja, que por sinal até nem é grande coisa (mera opinião pessoal), há quem publicite jóias...
Há quem exclua as minorias e há quem "brinque" com a diversidade e com as maiorias...
E permitam-me dizer, que há os que provocam pensamentos como "eu não estou a acreditar!!" e há os que surpreendam e façam saltar a frase "desta não estava eu à espera!!!"
Podiam dizer que estou a puxar a brasa à "nossa" sardinha e que é mais do mesmo, mas a atitude é completamente diferente. Não acho que haja "nós" nem "eles", que é aliás o que retenho deste anúncio da Dolce&Gabbana. Não consegui o link mas tudo indica que a mocinha se vai encontrar com o jeitoso e afinal não é nada disso. A campanha da D&G está para aí virada, já que não é o único exemplo. Pelos vistos a comunidade é um alvo lucrativo. É certo que a referida marca já teve um anúncio censurado. E porquê? Lá está, porque incitar à violência, à exclusão social ou à discriminação, mesmo que muito subtilmente, não resulta!
Quem será que vende mais?!!! Vá, não vou tão longe, quem tem melhor imagem?...

Alguém percebe de GPSs?

quinta-feira, novembro 8


Fui buscar o GPS que vinha com o meu bólide novo. Na altura estava esgotado. Com simpatia e amabilidade o vendedor começou a ajudar-me a definir as opções mas foi interrompido por um telefonema urgente. Eu continuei...

Chegada à altura de escolher a voz que me daria as informações ele, na sua prontidão, aponta entusiasticamente para a opção "voz masculina". Hesitei mas ele insistia. Fiz-lhe a vontade. Terminado o telefonema perguntou-me se tinha percebido. Já não sabia do que estava ele a falar. Então para minha surpresa exclama: "É mais interessante ter a voz do senhor do que a de uma menina!" Ainda pensei que tinha alguma vantagem práctica e perguntei: "Ah sim, e porquê?" Ele respondeu: "Então farta de..." Imterrompi: "Sim, tem razão, farta de meninas ando eu!!!

Claro que foi só para o sossegar... E agora não consigo mudar!!!

Passagem pela Antena 1...

terça-feira, novembro 6

Espero não ser tarde nem a más horas vir contar a nossa saga na rádio. Isto da informação deve ser atempada mas fiquei sem net.

Como mais vale tarde do que nunca, devo dizer que foi divertidissimo! Depois da festa de aniversário da Lesboa fizémos nós a nossa. Aparecemos as três de branco! Pareciamos pertencentes a uma irmandade qualquer. E digo três porque a AR acompanhou-nos gentilmente. Garanto-vos, não foi um gesto fácil depois da noitada de copos que tivémos!

A conversa fluiu. Apresentações aqui, tentar perceber as diferenças da nossa realidade, ali... Tentámos dar a nossa opinião da forma mais directa e simples que pudémos. Bem sei que às vezes não é fácil representar toda a "comunidade" mas também não era essa a idéia. O objectivo era explicar a utilidade do blog e o que pensamos ser o que procuram os nossos leitores.

A hora passou num instante! Chegámos à conclusão que isto dos papéis está fora de moda: o nosso entrevistador também não é o homem das suas relações. É ele quem cozinha e percebe pouco de futebol! Há coisas que por vezes não fazem sentido como continuar a rotular.

Só me resta esperar que se tenham divertido também!

Um hino à Mulher!

sábado, outubro 27


Tenho andado à procura de inspiração e de temas originais para mais um texto. Isto de escrever, para quem não está sempre com o bicho de dizer alguma coisa, pode tornar-se repetitivo e aborrecido para quem lê. Ainda por cima com colegas bloguistas que se lembram de tudo e mais alguma coisa para escrever, é dificil! O meu bicho é outro. Quem me conhece sabe que sou de falar fácil, mas com o público em geral a coisa fica mais natural através de imagens do que através de palavras.

E foi assim que encontrei o meu tema de escrita desta vez: As musas! Essas incríveis inspiradoras de vida, de arte, e de amor, que são as mulheres. Lembro-me de ser pequenina e de as achar uma criação divina! Algo que um homem por muito bonito e meigo nunca conseguia atingir. Até hoje não consigo explicar, porque como é óbvio nao tem explicação nenhuma. Consegui paz neste aspecto dizendo para mim mesma que o melhor era não pensar nisso. E não pensei! Limitei-me a gozar da sua companhia, nem sempre fácil mas sempre tão particular e tão bela. Sou daquelas que tive a "sorte" em nunca pensar que era errado estar apaixonada por uma mulher. Era até mais do que compreensível. Como seria possível não estar?!

Agora até podia cantar a música do Martinho e dizer que já tive mulheres assim e assado.. Mas não! Este não é um hino às mulheres que tive ou que deixei de ter. Porque não tive a Madonna e ela também merece estar representada! É um hino às mulheres, à sua beleza nas suas diversas formas. Afinal, não achamos todas e todos que as mulheres são lindas?

Afinal não sou lésbica... sou virgem!

segunda-feira, outubro 8

Ir ao ginecologista é uma tortura daquelas chinesas. A posição fantástica de "perna aberta" naquela cadeirinha, deixa-me com ataques de ansiedade durante uma semana. Mas a minha parte favorita é o questionário... Começa com a pergunta sobre a idade, se se tem relações sexuais e se sim que contraceptivo se usa. Ora, é aqui que começam os problemas. A primeira vez que fui ao ginecologista, aos vinte anos, respondi que não usava nenhum e o senhor doutor resolveu dar-me um sermão que durou toda a consulta (inclusive quando estava na referida posição). O discurso abordou, entre outras, a hipótese de um dia aparecer ali com a minha mãe para fazer um aborto! Blá, blá, blá... Decidi desde então não ocultar mais a minha orientação sexual. E foi a loucura! Já tive de tudo! Devo andar a acertar nos melhores!

Dez anos mais tardes e mais alguns episódios giros entretanto, lá vou eu para mais uma consulta, desta vez com experiência como nunca. Tinha as respostas às perguntas possíveis todas estudadas. Muito calmamente disse-lhe que não usava contraceptivos porque era lésbica. Então a médica perguntou-me se já tinha estado com um homem. Fiquei logo à espera do pior. Respondi-lhe que não ao que ela reage dizendo muito certa "ah, então é virgem!" Pronto!!! Pensei, cá vamos nós mais uma vez... "Não propriamente", respondi. "Mas tem penetração?!!" Os meus olhos já quase saiam das órbitas e eu do consultório. "Estou a fazer-lhe estas perguntas porque preciso saber como a vou observar!" - não fosse aquela preciosidade romper-se aos trinta e tal anos! Lá lhe respondi que me observasse à vontade e que lhe assegurava que não era virgem.

Pensei enviar-lhe um manual qualquer que a ajudasse mas depois achei que não valia a pena. Se não lhe calharam lésbicas até então seria provável que não tivesse mais nenhuma durante a sua extraordinária carreira! Fiquei também muito preocupada com a sua vida sexual que deve ser muito monótona já para não falar da sua formação profissional.
Depois desta fiquei imune a disparates. A senhora até ajudou...

Novos Códigos

domingo, setembro 9


O L Word veio para ficar! Não há mais dúvidas acerca disso. Devo confessar que adoro a série e até comprei as duas primeiras épocas. Mas há coisas que poderiam ficar só pela televisão. Imaginemos que a familia dos Sete Palmos de Terra (que também gosto muito) existia como norma familiar. Estariamos todos doidos e a ver mortos falar! Não quero tanta excitação na minha vida. Chega-me uma vidinha "normal" e o facto de a minha mãe confundir até hoje a minha voz e da minha irmã já dá uma história suficientemente peculiar. Ficção é isso mesmo ainda que baseada em factos reais.

O certo é que não vale a pena negar, os códigos das relações estão a mudar. Não sou antiquada e até me considero "pra frentex" mas já não percebo nada disto. Não estou a falar das trocas e baldrocas, que parecem mais frequentes ou mais visíveis do que há uns anos atrás. Estou suficientemente familiarizada com elas para ter a minha opinião sobre isso sem ter que pensar muito. As traições também não me incomodam a menos que as sinta na pele. Antigamente as gajas mudavam-se de malas e bagagens para casa das namoradas no segundo encontro, agora a própria palavra "namorada" é tida como casamento. "Amante" também indícía compromisso e caiu em desuso. As curtes é que estão na berra ou para as mais crescidas o estilo "one nigth stand". Concordo com um psicólogo da nossa praça quando diz que não vale a pena fugir das paixões e que tem que se experimentar muito para saber o que se quer numa relação. A questão é essa mesma, o que é uma relação hoje? As amigas coloridas estão na moda, dão pouco trabalho e são melhor que nada. Os namoros estão cada vez mais curtos. Um relacionamento de 5 anos é considerado um acto heróico! A percentagem de pessoas que não quer viver com alguém cresce como melgas numa lampâda acesa.

Preciso de um manual, tipo código da estrada, que vai sendo renovado à medida que as regras vão sendo ajustadas às necessidades de uma condução segura. Pode ser perigoso haver um stop que tenha mudado de imagem, ou um traço contínuo mal percebido. Há muitos acidentes, muitos semáforos apagados e muitos feridos intratáveis. O medo e/ou a preguiça das grandes viagens são notórios e fique claro que não tenho nada contra uma voltinha no bairro. Há sempre riscos em tudo, e como se começa assim se acaba. A segurança do não compromisso parece estar a criar raizes e não só entre lésbicas e gays.

Sei que custa quando as coisas parecem não ter mais arranjo mas sofrerei eu de utopia crónica ao acreditar que se pode sair com muito mais do que com o que se entrou numa relação, seja ela de que género for? Numa época em que os desportos radicais estão na moda não parece fazer sentido tanta "cautela".

Viva a liberdade mas não matem o romance!

 

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